Meu castelo de cartas foi destruído mais uma vez. Droga. Parece que todas as vezes que consigo construir um, alguém sopra. Parece que as próprias cartas se dobram mais que quase maliciosamente, como se apontassem pra mim e disessem, bum. É, pois é, Pedro, lá está você, um quadro enorme pendurado no muro da vergonha dos mal-amados. Olhando pro seu celular esperando ele apitar, andando de um lado para o outro no quarto assistindo a própria destruição de todos os meus sentimentos… de novo. Fingindo que a vida é feia enquanto diz a si mesmo que é feia, porque as pessoas são tão ruins e boas ao mesmo tempo, mas na verdade simplesmente é porque não sabe apreciar nada disso. Lá está seu quadro, pendurado, rejeitado, jogado na malinha dos desejos irrealizados. Lá está você, se debatendo, mais uma vez dizendo que não quer nada e só quer uma coisa em especial - aquela que não pode ter. Você é desesperadamente ansioso e ansioso, e pior de tudo, apegado. E acima de tudo, indubitavelmente exigente. Você só quer um, o um que você pôs na cabeça que quer e só uma bola de basquete atingida em cheio na cuca pra fazer esquecer. Talvez nem isso. É. Nem isso.
E você pede pelo tão dolorosa e calorosamente que esquece de pedir por si mesmo. Esquece que possui um corpo, uma existência e uma existência pra viver. Esquece de tudo isso e só fica pensando numa perfeição que está sendo desperdiçada, no seu arrependimento do passado, vontade de voltar para aquele dia e pedir ao maximo que nada daquilo acontecesse com você. Você perde pelo fim de sua solidão, mas não consegue suportar essa substituição, na verdade não suporta qualquer substituição. Ninguém serve, não há vivalma, bonita, feia, chata, legal, interessante, inteligente, ninguém supera. Porque ninguém é a pessoa amada, ninguém é e nunca vai ser. Não é com essa bonita, inteligente e interessante que você disse o primeiro Eu te amo, tampouco planejou em morar numa casa com um filho e muito menos planejou o nome deste. O pior de tudo é que se um dia planejar, chegar a pensar em planejar vai sair comparando cada mínimo detalhe do novo com o antigo, então fode tudo e volta tudo, tudo mesmo.
Porque volta, em duas semanas, dois dias, dois minutos. Volta como a certeza de que vai ventar, e às vezes venta, e forte. Volta com toda a força que um dia teve, e a vontade de realizar os planos ditos e não ditos e a vontade de fazer tudo o que sempre sonhou em querer fazer, vem, e vem da forma mais diabólica e traiçoeira, em formato de gotas de solidão. Que queimam. Se eu, com dezessete anos pudesse dizer pra você o que é amar, eu diria que é a coisa mais ingrata do mundo. Você gasta todos os seus ATPs e sua cabeça, memória, sorriso… querendo uma pessoa que no final das contas é só uma pessoa. É só uma pessoa feita de carne e osso ATPS cabeça memória sorriso e você se diz, você tem a ousadia de dizer a si mesmo (e às vezes pra ela) que ela culmina sua existência. Que ingratidão! E um dia tudo isso acaba, como uma explosão atômica que simplesmente desaparece. E você fica pensando pra que caralho a quatro serviram todos aqueles raios que você soltou, e pior ainda, ainda está soltando.
É, é um sonho. Existe um vazio humano, que dizemos que possuímos quando não amamos, mas sério mesmo, o que é amar? Uma coisa vazia que exige de você tudo o que você, depois de um tempo, não está disposto a dar. Às vezes até nem queria dar em primeiro lugar, e, ou foi obrigado, ou estraçalhou um coração, por assim dizer. Coração. Palavra que me incita a fúria, porque se você parar pra pensar, nada dele tem a ver com o amor. Pelo contrário, caros, pelo contrário. Acho que é aquela parte do sistema nervoso que é responsável por administrar o momento em que passa o efeito de alguma substância alucinógena ou aquela hora em que nosso momento de euforia instantâneo passa e já estamos reles e formigueiros novamente.
Siga minha campanha. Estou amando, estou completamente estraçalhado (meu cérebro, porque meu coração está bombeando o sangue como se nada tivesse acontecido, às vezes acelerando, mas ainda despreocupado) esquecido num muro patético onde jazem centenas de bilhões de pessoas com caras de cu iguais a minha. Boicote o amor. Não tem nada de bom. É só ilusão e esquecimento. É só alusão e devastamento. É só idealização e mentiras, lavadas, jogadas na sua cara como aquelas bolinhas de papel que jogam em você por você ser diferente. É só um cuspe na sua cara, e não aquele que chamamos de beijo, mesmo.
É ESQUECIMENTO.