Milhões de vozes gritando
Sunday, March 30th, 2008Essa semana parece que durou um ano pra mim. Quinta ou quarta-feira retrasada recebi um telegrama mandando me inscrever urgente no CAp-UFRJ, colégio para qual eu fiz prova e pensava que era o melhor de todos. Passei, mas não fui sorteado, então já tinha tirado a idéia. Pra mim ia pra outro colégio que era o que eu mais queria mesmo, mas só em Julho. Essa idéia já tava fixa, guardada, sedimentada. E então chegou o telegrama e eu pensei “Óbvio que eu não vou”. Simplesmente não me importei com o tal telegrama até domingo, quando meu pai ligou e botou um monte de coisa na minha cabeça pra ir pra lá.
E feliz e faceiro eu fui na terça fazer matrícula pra começar logo na quarta. Ganhei agendinha da UFRJ, acordei 5:45 pela primeira vez na vida e fui lá, pegar ônibus e chegar na escola cedinho. Cheguei, conheci toda a minha turma que parece que não podia ser mais legal (sem ironia), descobri que a aula de química (matéria mais importante pra mim) era um fracasso mas gostei da aula de teatro e da de física. Tudo bem, vamos ver o resto. No dia seguinte tivemos Educação Física, Química e Física de novo e a professora de matemática faltou. Fiquei extremamente desesperado quando comecei a copiar a matéria de química que tava mais atrasada que meu irmão, mas tudo bem.
Na sexta tive desenho geométrico e isso foi meio que a gota. Enquanto a professora falava uma língua excessivamente bizarra porque aquilo não é português, desculpa, copiei mais da matéria de química e pensava: cara, que que eu tô fazendo aqui? A professora vesga e deprimente me deixava realmente mal e pior foi a de desenho vir me dar bronca por ter cagado na cabeça dela. Depois veio história que foi simplesmente inútil e Biologia, minha última esperança, tinha uma professora anã idiota mais perdida que eu.
Cheguei em casa desesperado, pensando que queria voltar pro meu coleginho querido particular ou acima de tudo voltar pro meu futuro em Julho técnico de química. Conversei pela vigésima vez com alguém procurando conselhos e ouvi que se era o que eu queria, que eu fosse. Sinto que sou um pouco idiota de ficar mudando de idéia por dia, mas parece que dessa vez eu tô decidido. Não sei se vou continuar no CAp até julho, porque gasta passagem pra basicamente nada, mas também não sei com que cara vou chegar pros meus colegas que foram tão… bons pra mim e falar “Beijos me liguem”.
Só sei que meu cérebro ficou meio que atordoado de, no prazo de sete dias, passar pelo extremo da mudança física e mental vindo direto do estado puro de inércia em que eu tava. Foi brusco. Não foi uma questão de falta de adaptação porque sei que mais cedo ou mais tarde me adaptaria, mas sinceramente, não quero aprender química que para mim é bela e harmônica com uma mulher que nem olhar direto nos meus olhos consegue.
Não sei se vou ser médico ou químico ainda, mas quero pensar de imediato. E meu coração diz pra sair do CAp e ir pro colégio técnico. E é isso que eu vou fazer. Se vou me arrepender? Quem sabe… mas não quero me arrepender pelo outro lado. Não mesmo.