Otimismo Passageiro

Tenho bons e maus dias. E é nos maus dias que além de me sentir uma besta dramática que quer chamar atenção para si mesmo… parece que estou sendo simplesmente o mais profundamente possível realista. Por que? Porque nos maus dias, bate uma melancolia, depressão… que chega quase a beirar loucura. Me deixa com meus problemas, tá? Mas é sério. Tudo me deprime de uma forma gigantesca, inclusive coisas ínfimas. Não é que eu não ame a vida, amo cada detalhe da mesma, e consigo reconhecer isso até quando me sinto triste… é que bem, é simplesmente uma depressão irremediável.

“Sou jovem demais para ter esses pensamentos.”;
“Esses pensamentos são normais para a minha idade.”.

Oscilo entre essas duas conclusões enquanto me reviro pensando que ser idoso um dia é deprimente, chuva é deprimente, sol é deprimente, ser eu é deprimente, ser qualquer um é deprimente, amar é deprimente, sentir é deprimente… a vida é deprimente, não tem sentido, não tem finalidade, em cinquenta anos vou morrer afundado em remédios contra depressão. Coisas cotidianas, falas cotidianas, TUDO, de vez em quando, me deixa de tal forma abalado e melancólico que parece que eu vou morrer inundando em tristeza. Quando digo que é qualquer coisa, é QUALQUER coisa, não precisa nem fazer sentido. Me deixa simplesmente… triste.

Não precisa nem ser um dia ruim para eu achar coisas extremamente deprimentes. Não consigo lembrar de muitas coisas específicas porque sei lá, depende do meu humor. No momento me sinto bem e poucas coisas pra mim deixariam triste, mas o que não garante que amanhã vou acordar com uma tristeza incontrolável dentro de mim? Vontade de deixar minha existência pra trás apenas pra esse sentimento passar, vontade de pegar um aspirador e sugar toda a falta de chão, sentido, ponto, razão, pra estar aqui, sobrevivendo, acordando, sorrindo, chorando. Tristeza, melancolia, depressão… bate tudo isso quando começo a revirar meus pensamentos e pensar em como a vida é simplesmente… a vida. Só.

Devo me ocupar mais? Isso é normal da minha condição humana? Sou bipolar? Borderline? Sou uma porra fresca? Nomeie o que quiser, só sei que por ora, chamo isso de simplesmente… tristeza. Agora pouco estava falando disso com uma pessoa e ela me disse pra que fizesse terapia. Bom, dizer essas palavras em voz alta, assim, sinto que tudo sai de uma forma patética que minimiza como eu realmente me sinto. E isso eu não quero mesmo. Só que bem, quando eu falo “mãe, me põe na psicóloga?” olhando sério, falando sério pra ela, eu vou ter que relatar pra ela, e bem, minha mãe é a pessoa mais cética e grossa que eu já conheci depois do House… ela vai dizer que é “frescura” e “psicólogo é coisa de rico”. Eu me pergunto: preciso realmente de um psicólogo? Estou tentando me fazer sentir especial?

Não sei. Só sei que meus sentimentos são tão reais quanto quando acordo em dias ótimos em que as mínimas coisas me dão vontade de sorrir e o ato de ficar assistindo televisão fazendo comentários é a coisa mais divertida do mundo… e que, no dia seguinte, as pessoas que estão na tv são deprimentes, eu sou triste e o mundo não faz sentido. Sei que isso é real. O que não sei, é se isso é comum, ou normal, ou saudável, ou simplesmente um requerimento para minha condição de ser humano.

Em meus melhores momentos, penso “ah, todo mundo tem depressão, não tem como sobreviver sem elas”. E em outros momentos penso “como sobreviver com essa tristeza interminável?”. É simplesmente inexplicável, é tristeza pura, infundada, quando realizo que além da minha vida não fazer o menor sentido e que nem um bilhão de dólares e aulas integrais de química me deixariam satisfeito e feliz.

Tive uma idéia… vou passar o link desse post pra minha mãe. hahaha… Não estou num mal dia… se tivesse, nem postar aqui eu ia conseguir!

Porra, essa música aqui é a única coisa que pode trilhar esse post direito:

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