Archive for April, 2008

In Limbo

Tuesday, April 29th, 2008

Falta inspiração pra escrever qualquer coisa. Sabe por que? Eu escrevo muito mais quando estou triste, querendo alguma coisa que não posso ter ou estou emo por causa de alguma coisa. Bom, o fato é, que na verdade, não estou nada disso nesse momento. Sei que daqui a duas semanas quando estiver numa banheira de desespero irei ler isso e rir de mim mesmo, mas agora estou me sentindo extremamente bem. Estou decepcionado porque perdi a confiança numa das pessoas que menos queria perder (que menos esperava perder, essa é a verdade), mas no momento tenho me sentido mais feliz do que jamais senti. Percebi que tenho a melhor família do mundo - mesmo que já soubesse disso - e pra mim já basta. Além disso tenho poucos - mas grandes - amigos.

Lembro de contar para minha irmã que não queria ir pro Cefet porque não tava afim de fazer amigos e estudar uma coisa que obviamente não ia fazer, além do que preguiça de pessoas novas. Eu tava com esse pensamento sim, mas graças a pessoas que me disseram “faz” eu fui fazer, e não sei o que seria de mim se não fizesse. Conheci umas pessoas ali que parecem ter caído do céu, e não porque seriam boas (mesmo que sejam), mas porque são os mais legais do MUNDO. Não sei o que seria de mim sem eles ali. Gosto um pouco da matéria, tô aprendendo mais ou menos bem sim, mas nada seria sem eles. Todo mundo ri porque eu dizia “odeio o Cefet” e agora só consigo dizer “eu amo o Cefet”.

Não tenho feito nada de bom ultimamente se você for ver do lado físico, tenho uma preguiça muito mais do que eterna de pensar em ir pra academia (pior é que estou precisando) ou estudar qualquer coisa que não seja pegar as apostilas de química que parece que só vou usar num futuro distante e ficar folheando pensando que preciso que o tempo passe logo. Bom, a gente já tá em Maio, parece que foi ontem que eu estava subindo a escada do meu prédio pensando que seriam 6 longos meses depressivos cantando “It’s always worth to wait / so I can”, mas até que não têm sido nada mal. Amanhã já é o aniversário do meu irmão. Falta só metade pela frente.

Acordar, ver televisão, dificilmente sair para mais do que ir à padaria (nem isso tenho feito mais), entrar na internet e ficar no msn até dar sono enquanto ouço Radiohead, atual vício musical e mais nada. Rotina medíocre? Pode até ser, mas o que posso fazer a não ser esperar? Pego-me pensando, e quando a espera acabar? O colégio vai ser tudo isso que imagino mesmo? Vou sentir falta dessa rotina chata mas nada cansativa? Isso só ajuda a virem mais inúmeros pensamentos depressivos que, inevitalmente surgem, por mais que esteja num momento em que raramente passo um dia inteiro me sentindo assim. Estou com sorte. Entra Maio agora, e fiquei pensando - em Maio não acontece nada! É o pior mês do ano, de longe, e eu nunca vou ser mãe. Mas Junho tem várias festas juninas, e Julho já começo a me preparar, e deve passar rapidinho. E o bom é que todo mundo também está de férias, mais fácil sair com amigos, não ficar sozinho onláine no msn, nem meus irmãos vou sentir falta.

Estive pensando que queria muito entrar em um psicólogo. Meu amigo está em uma, e ele fica me contando… se eu já queria entrar antes, ouvindo ainda dá uma vontade extrema. Queria ter alguém pra ouvir e não me achar louco quando falo de depressão, tristeza, falta de propósito, etc. E quaisquer outras coisas que surgirem. Mas minha mãe nunca ia me levar a sério, e se eu disser: Pai, quero ir na psicóloga porque às vezes me sinto deprimido, ele arma um barraco enorme dizendo que eu estou afogado em tristeza e que estou realmente muito doente. Vou falar com ele da próxima vez que puder e comentar do assunto, quem sabe? Alguém aí pra me recomendar uma psicóloga boa?

No momento, por exemplo, estou sozinho na sala da minha casa - coisa que nunca acontece, porque aqui vivem 35 pessoas, e a televisão ligada. Não tem nada pra ver, não tem nada pra fazer… mas não estou com sono. E pensar que ainda faltam bem uns noventa dias, não? Acho que vou sentir saudades de tanta inércia… mas só quando ela chegar ao fim.

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Queria mudar esse layout, mas ele é tão… perfeito! Hahaha, mas é, sou compulsivo por fazer layouts.

Eu quero esquecer

Friday, April 18th, 2008

eternal_sunshine.jpgEu quero esquecer que você existe.
Eu quero que a minha mente simplesmente apague todos esses anos, todos esses meses, todos esses dias em que eu lembrei de você. Eu quero que você seja feliz - mas ainda, eu não quero lembrar de você.

Eu quero esquecer que a minha vida um dia teve uma grande rocha separando o antes e o depois de você. Eu quero regredir, eu quero esquecer todas as lições que aprendi e todos os sacrifícios que fiz para deixar você mais perto de mim.

Eu quero esquecer que lutei contra o destino ou talvez, aproximei ele. Quero que todos nós esqueçamos que um dia você já fez parte da minha vida… mesmo sem saber, mesmo sem ter uma pista - você já fez parte da minha vida. Eu quero esquecer.

Quero que a vida volte a bastar. Quero que a minha família e meus amigos sejam suficientes. Quero que você deixe de existir nessa minha cabeça idiota, previsível e imprevisível, mas realmente muito idiota. Quero não ter mais que sentir falsas esperanças de quem está desesperado por fazer esperanças reais, quero que você simplesmente desapareça.

Desejo que você tenha uma ótima vida, que todos em sua volta sejam felizes. Quero que a sua mãe não morra (é, eu desejo isso pra todo mundo. Não que a minha tenha morrido ou perto disso! Mas continuo desejando isso para todos). Quero que você recupere tudo o que perdeu ultimamente.

Preciso da sua ajuda para te esquecer. Preciso te esquecer. Com a sua ajuda, lembrarei da sua voz me ajudando. Por isso, por isso estou perdido.

Mas eu ainda preciso de esquecer, eu vou te esquecer, eu prometo. Não importa quanto tempo eu tenha que viver na sua presença ou tenha que suportar a sua voz falando coisas ruins e boas, engraçadas e maçantes, estimulantes ou desesperantes.

E, quando eu te esquecer, eu vou apagar esse post, para eu ter certeza que vou te apagar pra sempre da minha vida.

(post realmente muito velho, bem possível que tenha mais que dois anos)

Sigam-me Ratos e Crianças

Wednesday, April 16th, 2008

Mas estava em um beco. Cordas de violão sussurravam pelas paredes o que ela gostaria de ter dito e não dito ao mesmo tempo em que as latas de lixo poderiam representar num tom irônico que a irritava tanto o desperdício de seus últimos momentos. Sua respiração soava como se estivesse aspirando litros e mais litros de não apenas poluição urbana, mas também um peso que não havia nascido para suportar. Seus pés queimavam como um deserto à noite e suas veias já não pulsavam mais, portanto não conseguia mais se mexer. Ela era loira.

Outros instrumentos preenchiam o silêncio sepulcral, mas seus ouvidos não doíam mais. Vários e vários decibéis avançavam como armaduras tentando reviver o rei urso domado jogando cordas e mais cordas mas ela apenas sorria. Seguir à melodia era uma opção? Talvez… e dançaria, como se pudesse, mas dançaria, e a melodia, a faria ofegar, como um flautista ofega, após uma apresentação. E escorregaria numa branca mentira, talvez envolvida por algum sentimento de desejo alheio?

Nunca. O esquecimento a varreria nas forças de um bruto aspirante à cavalheiro, como se nunca existisse, uma borracha cruel que de branca nada teria. Ah, o esquecimento. Mentir e esquecer são ilusões fabricadas por um cérebro nada do humorístico, talvez não seja nem um cérebro, e no entanto, não tão ilusões. Mentiras se liberam involuntariamente. O esquecimento, bem, o esquecimento é dos males o mais inevitável. Perpetuar-se é deprimir-se. Lembra-se de si mesma, deitada ali naquele beco? Talvez.

No limbo das sensações nada resta, sem querer ser estraga-prazeres. Não há moveimento e talvez tampouco audições, tampouco lembranças pois já fomos pegos como qualquer terráqueo, o e medo de morrer já não existe pois o sentimento de medo é apenas um conceito distante, abstrato, desligado. As falas que não poderia nunca mais dizer e as falas que já tinha dito mergulhadas em culpa ou talvez arrependimento queriam voltar para si e se re-arranjar como se de lá fossem sair novas chances de diálogos e decisões. Debaixo da cama, nas sombras.

ventrilocuo.jpg Vejo uma mão ou seria uma luz ao que meu corpo fica completo de medo e medo uma aproximação vem e vem a pegar-me o que faço pois a melodia já não é nem um pouco calma e o inferno pessoal parece tomar uma proporção mais real do que seus pesadelos já querem dizer e há muito não conseguem. E volta a caixa de música…

…eu deveria ter vivido, ela e eu pensamos, pois não poderíamos nunca mais aproveitar a tal caixa de música, e nós somos apenas um ser nesse momento, ofegante, errante. Os lixos já não são lixos e as luzes do beco que já não são apenas músicas, antes ressoantes como uma bateria isolada agora são apenas uma lembrança. A cidade está longe e nunca mais poderia chamar crianças e ratos para me seguirem, pois perdi minhas flautas, minhas lembranças, minha felicidade.

Gostaria de viver para sempre nessa melodia ao que nunca aproveitei-a e de repente me bate de supetão! EU não poderia voltar, nem você, nem nós, e agora estamos perdidos. É hora de despedirmos-nos, mesmo que não tenhamos reles noção de gramática agora que nosso ou seria vosso? arrependimento bateu, e bate, e baterá para toda a eternidade!

2+2=5

Friday, April 4th, 2008

Eu escrevo seu número no meu caderno mental por mais que nunca tenha recebido ou talvez tenha memória para guardá-lo por mais do que cinco minutos. Penso que existem distâncias e distâncias, algumas talvez insuperáveis, algumas outras pequenas de tal forma que chegam a ser descritíveis num pedaço de papel, mas aquela que me separa de seu número ou algo mais interessante que isso se torna quase um abismo colossal de palavras não ditas. Ou talvez palavras ditas, entretanto mal ouvidas como se realmente já estivessem nesse abismo para início de conversa, não é?

Por dias a idéia de oito (abstratos) números vagam pela minha mente, clamando por uma mensagem que seja, ou pelo menos coragem para tomar uma atitude maior do que idéias idéias e idéias. E um pouco de pedido divino. Rezo para que o toque do alarme que por coincidência é o mesmo que uma chamada desconhecida seja na verdade o seu telefone discando para o meu por alguma obra muito da engraçada pregando uma peça em forma de flecha com coração nas extremidades.

Pareço uma princesa esperando o conto de fadas, estou ciente. Posso negar por horas essa necessidade telefônica, por assim dizer, mas seriam horas perdidas de vigília em frente à estação de meu mais novo melhor amigo que fará um trim como se zombasse da desgraça alheia, mas não o condeno! Cena mais típica não há: troque meu sexo e ambos sabemos - eu o senhor azul - que isso simplesmente se repete todo dia. O problema é o desfecho da história. Veja - por mais que não saiba se a esta altura falo com o interlocutor, com o dono do futuro possível telefonema ou o próprio transmissor da ligação -, usar a palavra ‘problema’ é algo muito relativo. Em outros casos, tudo iria dar certo. Já no meu…

Decido quebrar a ligação meramente ocular entre mim e o telefone e abro minha página de recados. Nada novo. Quanta calamidade, nem uma propaganda? Mas sei na superficiezinha do meu âmago que nem que tivesse cento e cinquenta recados novos recados e três quartos fossem pessoas sexualmente interessadas em mim… nada disso faria diferença. Quero um recado em particular, justamente aquele que não vem. Acabo sendo seco para com todos os sendo e cinquenta que nesta visita simplesmente não existem, mas tenho noção que mais cedo ou mais tarde virão.

Queria apagar memórias ao mesmo tempo que não queria e apagar sua existência, mas me parece que nada sobraria. Apenas o seu número. Vazios e mais vazios que nem os números de toda a américa do sul (e do norte) poderiam preencher em minha cabeça juvenil. Amo matemática e nem um bloco com milhões e milhões de contas preencheriam tal vazio. Incrível como uma infinidade de números, possibilidades e probabilidades se tornam um nada gigantesco diante de oito mínimos dígitos de um número telefônico que no final das contas nunca vai aparecer no meu visor.

Toca o telefone e penso de prontidão que não posso ter esperanças. Você não sabe meu número! E se tiver descoberto? E se tiver perguntado a alguém e resolvesse ligar, assim, como quem não quer nada? E se tiver olhado naquele site que tem todos os telefones do mundo que eu não conheço e esteja ligando assim, às onze da noite?

Não, não mora ninguém como esse nome aqui. Nada, boa noite.