Strobe lights and blown speakers
Ano-novo de 2007 para 2008.
Família decide fazer um jantar, mas como a mãe está trabalhando - produtora musical - os próprios irmãos se unem pra fazer a comida. Fica tudo muito bom. Todos se sentam à mesa, mas como nessa família grande todo mundo só fala o que pensa, já surge briga. O penúltimo, Pedro, não consegue segurar suas intermináveis e intermináveis ironias direcionadas a… quem quer que fosse. Ele simplesmente não consegue. A família fica em clima mas mesmo assim se diverte, enquanto comem e pensam no futuro. Todos estão pensando no futuro e de fato, falando sobre ele. Brigas, mas risos. Essa família está sempre assim. O jantar se passa e todos estão satisfeitos, cunhados, irmãos, amigos. Alguns decidem ficar em casa… mas outros, na ânsia e euforia de fazer e ser melhor decidem sair e ver os fogos na praia - afinal… Rio de Janeiro. Pra quê.
A praia do Leme é a mais próxima, de modo que os aventureiros decidem que é lá que vão mesmo. O túnel está cheio de pessoas cantando e cantando à espera de mais um (chato) (igual) ano (mas novo) e os ônibus passam engarrafados cheio de pessoas encantadas com tanta barulheira num espaço tão curto de tempo. A família fica no túnel por quase quinze minutos. Pessoas e mais pessoas na rua, vendedores, grupos de amigos, ravistas, punks, homens vendendo antenas e enfeites para a virada do ano. Um verdadeiro carnaval. Já na praia, vários telões estão espalhados e toca uma música (tudo que quer me dar, é demais, é pesado) popular e inúmeras pessoas dançam pensando que daqui a pouco terão a tão esperada contagem. Pessoas (chateadas) em barracas. Pessoas (deprimidas) radiantes. Pessoas (procurando) com esperança.
Os fogos começam após meia hora depois da família chegar. Só que não começam na hora certa. Não tem contagem, não se para a música e onde estão as esperanças? E os anseios? E os estouros? Ninguém pensou nisso ainda e os fogos já estão estourando, enchendo os olhos de quem quisesse ver. Pessoas assustadas mas felizes tiram fotos e mais fotos de um momento que deveria ficar na memória de uma forma boa. Pessoas prometem amor. Pessoas de outras praias também começam a prometer amor. Pessoas pensam em mudanças. E surge um efeito novo, aquele que não seria visto em mais nenhuma praia naquela noite e que na verdade não era efeito coisa nenhuma.
Olhos de famílias felizes e aventureiras se enchem à medida que os fogos parecem chegar mais perto. Ou não parecem. Os fogos estão de fato chegando mais perto. Ouve-se um grito: CORRE! E inúmeras pessoas correm, e correm fugindo de agora pequenos meteoros terrestres caindo em cima delas mesmas. Dessas mesmas famílias que há dez segundos só conseguiam pensar em (tristeza) felicidade, agora elas estão apenas ecoando em seus cérebros uma única informação puramente fisiológica para não contrariar o instinto de todos os seres vivos de sobrevivência. Correr.
Fim de ano no Rio de Janeiro termina com inúmeros fogos caindo em cima das pessoas. Morte? Não houve. Ou houve? De esperanças, de felicidade? Talvez. A família aventureira não desiste - continua, agora parando na praia pra ouvir uma música e depois voltando a andar simplesmente por… andar. O penúltimo que antes ironizava aos outros ironiza a si mesmo, pois perdeu o chinelo na correria. O penúltimo anda pelas ruas sujas e fétidas do calçadão descalço, pensando que isso acarretará uma doença. Bela maneira de começar o ano. Ele lembra do ano novo do ano passado - tão ruim quanto - e pensa que 2007 foi um ano maravilhoso, o melhor de sua vida. Sorri. Dessa vez ele não está sendo irônico.
Andam por horas, pessoas vão embora e brigam. A Sobra da Família agora estaciona em uma rua conhecida do bairro esperando outras companhias, que não chegam e de fato abandonam a Sobra. Milhões de pessoas passam e vêem as Sobras brigando e só brigando. Pessoas que estão esperantes ou estavam, pessoas que vão tomar a maior bebedeira do ano. Irônico. De ironia estão suficientes. Pegam um táxi e voltam pra casa, às 5 da manhã, frustrados, ressentidos e brigados. Nunca mais, o irônico pensa. Hoje ele ri.
Mas na época ele só conseguia pensar na virada do ano anterior - horrível - e lembrar-se de como o ano à seguir tinha sido bom. Bem, de fato, 2008 prometia.
May 25th, 2008 at 7:30 pm
O post ficou realmente muito bom. Isso aconteceu de verdade com sua família? Se aconteceu, me explica direito o que foram esse fogos caindo de verdade? Porque eu ando meio lerda e não compreendi (:
O blog está bem legal, parabéns!
Beijos
May 31st, 2008 at 3:56 am
miacabeeei de rir com o post abaixo ahha
não sei nem se podia, mas eu ri msm assim. adoro o jeito q vc escreve heaioue
;*