Archive for July, 2008

Warwick Avenue

Thursday, July 24th, 2008

Eu. Acordo e relembro de uma sensação triste - mas familiar - entre as minhas paredes. Estou sofrendo. Por alguns instantes, tento lembrar o porquê desse sentimento que chegou mais rápido que a minha consciência, e assim que consigo atingir meu objetivo vejo que acabo de cometer uma loucura. Outra loucura. Ficaria melhor no esquecimento? Talvez. Talvez tudo fosse melhor se eu tivesse amnésia, e voltasse a alguns dias na semana onde percebia que eu era a pessoa mais feliz do mundo. Não mais.

Nós. Penso nas nossas palavras e tudo ainda parece uma enorme idiotice. Penso na relevância da nossa decisão. Penso em tudo que fizemos e deixamos de fazer, e penso, com uma dor quase insuportável na minha vontade obsessiva de sair correndo e te abraçar forte, porque nada disso importa comparado com o nosso amor. Nada nesse mundo poderia importar. Mas isso não me convence. Nada me convence do que é o certo a se fazer, nada me convence de nada. De qualquer forma, sei que é o certo. Não sou burro. Pelo menos não por esse lado - acho que deixar o amor da sua vida escapar assim cai (perfeitamente) bem no que poderia chamar de burrice.

Você. Lembro dessa música do título. Foi a primeira música que você me mandou e eu gostei. Ouço a esta música pensando que bem, só espero que já não me traga mais tanta dor como faz hoje. Sua foto está aberta e esta tampouco relembra alguma comemoração. Porém, não nego que sua beleza ainda me faz sorrir. Você me faz sorrir. A pegadinha é que no momento não estou sorrindo. Só sei que nunca poderia enjoar dessa foto, dessa música, de você.

Eu e você. Sinto tão sozinho, sem você. Sim, sei, ainda o tenho. E você ainda tem a mim. Por que não parece que isso é verdade? Por que não parece que vamos fazer tudo aquilo que planejamos para semana que vem? Por que estamos separados por um tempo que pode - e como isso dói, ou não, ser um tempo de décadas. Não acho que seria forte o bastante. Não acho que serei. Não acho que sou. Não sou.

Nós. De qualquer forma, sei que é o certo. Então por que dói tanto?

Eu. Enquanto olho pra sua foto, ouço a música. Acho que vou continuar assim por um tempo.

Tenho certeza.

How to disappear completely

Sunday, July 20th, 2008

Outro dia me peguei fazendo planos para a vida. Não é pra daqui alguns meses não. É pra vida. Pra vida inteira. Pra tudo que eu vou fazer no resto da minha existência. E esses planos tão, praticamente, traçados… quando eu digo praticamente, é praticamente. Existem apenas um porém ou dois. E foi nessa certeza desses planos que surgiu a pior coisa que já senti em toda minha vida. Não, não é a falta de ansiedade para esses planos. Não… muito menos, não é a vontade de não vivê-los - pois, pelo contrário, não conseguiria pôr minha vida em trilhos melhores. Mas…

Minha ficha não cai. É como se eu estivesse preso debaixo d’água, e tudo que eu estou vivendo hoje, meus dias, momentos, segundos… são pontuados por uma irrealidade absurda. Parece que não estou vivendo nada disso. Parece que não acordo, que não me visto, que não sorrio. Estou… vivendo um mundo real. Olha, como isso é triste, viu. Não sei se é por causa de acontecimentos ruins na minha casa hoje… mas, ah meu Deus, que tristeza, que desesperança. Preciso de ajuda. Se esse sentimento… de estar vivendo dentro de um espelho, de que todo o meu futuro que já está ali traçado será vivido dessa forma… sem cair a ficha - acho que vou ficar doente.

Estou quase chorando ao escrever estas linhas, porque botar essa tristeza pra fora, e de uma forma tão precisa como (acho eu) está saindo… é incrível. Simplesmente o resumo da minha situação é que tenho a minha vida inteira traçada numa rota de muita felicidade… e quando penso nela, me sinto um pouco feliz. Mas minha ficha não cai! Se tudo isso não estivesse acontecendo, seria a coisa que eu mais ia ansiar na vida… e no entanto, tenho apenas dúvidas. Dúvidas se é tudo isso, todo esse futuro que quero pra mim. Dúvidas se estou falando o que realmente estou falando. Sinto como se meus parentes tiveram sido substituídos por placas que apenas ouvem meus devaneios tristes de um alma… afogada.

Tudo parece tão… sem propósito, irreal, triste. Apático. Espero que seja coisa de momento, espero que… ao viver esse futuro tão promissor, me sinta feliz. Espero de todo o meu coração… que no momento está triste, muito, muito triste, mas assim que passar, voltarei a sorrir sorrindo. Será um sorriso irreal? Será uma ação falsa? Será… que vai ser um sorriso praticamente… holográfico? Sinto como se minha vida… eu, meus parentes, meus amigos… todos fôssemos holografias… sinto que estou vivendo debaixo d’água… sinto que estou vivendo por trás de uma máscara. Ah, eu estou tão mal…

E tenho tantos motivos para estar bem, tantos… mas… estou mal. Muito mal. Muito triste, muito vazio, muito depressivo. Eu não… sei o que está acontecendo. Só consigo lembrar do filme Matrix e de como o mundo inteiro era uma ilusão, e me parece desta forma. Não queria acordar! Tenho tanta felicidade. Queria aprender a viver essa felicidade, minha ficha cair, meus sentimentos diante dessa grandeza se manifestem… eu PRECISO! Preciso de ajuda, preciso de ajuda…

Espero que seja apenas um momento.

Por que se não for um momento… acho que estou ficando doente.

Update: Tô um pouco melhor. Eu tive uma noite péssima, então acho que foi isso… ainda não conseguiu cair ficha nenhuma. Mas minhas esperanças de que caiam voltou. Estou até com vergonha desse post…

Fitter Happier

Friday, July 11th, 2008

“Pedro, você não pode dormir essa hora” “Pedro, você não pode acordar essa hora” “Pedro, você tem que ser mais social” “Pedro, você tem que sair de casa mais vezes” “Pedro, você tem que malhar” “Pedro, você não pode comer agora” “Pedro, você deve estudar tudo isso” “Pedro, você deve ser amigo dessas pessoas” “Pedro, você não pode ouvir esse tipo de música” “Pedro, você tem que ser desse jeito” “Pedro, você tem que usar essa gíria” “Pedro, você tem que assistir esse canal” “Pedro, você tem que pegar muitas meninas” “Pedro, você não pode ser assim” “Pedro, você é estranho” “Pedro, tenho medo de você” “Pedro, deixa de ser grosso” “Pedro, deixa de ser tão irônico” “Pedro, pára de assistir isso aí” “Pedro, você tem que falar desse jeito” “Pedro, você tem que engrossar a voz” “Pedro, você tem que agir desse jeito assim que eu vou te mostrar” “Pedro, você precisa ser que nem a gente” “Pedro, você precisa sorrir o tempo todo” “Pedro, você precisa ser menos si mesmo” “Pedro, deixa de ser tão nerd!” “Pedro, deixa de ser tão apático” “Pedro, deixa de ser tão vazio” “Pedro, deixa de ser tão cheio de coisa” “Pedro, você não pode querer essa pessoa” “Pedro, você não pode falar com essa pessoa” “Pedro, você precisa sentir isso” “Pedro, você deve sentir isso” “Pedro, você deve ser julgado” “Pedro, você deve se acostumar com isso” “Pedro, estou te obrigando a se acostumar com isso”

Amor Azul

Sunday, July 6th, 2008

Um belo dia descobriu-se apaixonado pelo céu. Andava de avião sempre que podia, olhando as nuvens deslumbrado com aquela imensidão tão enigmática quanto seu próprio sentimento ao ver o imenso mar. Pensava que queria, de alguma forma, fazer parte de tudo aquilo, voar por entre as nuvens, sentir todo o azul sê-lo, virar harmonia. Andar de cabeça pra baixo e sentir, que todo aquele planeta acima de sua cabeça é um grande colapso de linhas de trem, e que somente um ser muito feliz e privilegiado para fazer parte de tanta tranqüilidade.

Queria ser piloto, e como piloto, aprenderia sobre todas as curvas e linhas que desenham o mundo azul em que viveria. Aprenderia todos os assuntos que as nuvens cochicham entre si… desviando de cada uma delas, para conseguir sua simpatia e enfim, amizade. Sonhava constantemente em pular de asa-delta, ou melhor, ser uma. No entanto, não seria amarelo ou vermelho ou verde, como constantemente seriam suas companheiras. Seria azul. Seria azul, pois não se perdoaria se estragasse aquela harmonia que tanto ama. E o medo de cair, tão comum na sua condição de ser humano… Não seria nada. Não cairia, sabia, pois seria aparado por suas mais novas amigas brancas. Não cairia, sabia, pois quereria com tantas e todas suas forças continuar tão perto daquilo que nada no mundo o separaria de seu eterno amor.

Tirava fotos e mais fotos do seu querido, quando o sol se punha e nascia, quando a luz faltava e enchia, quando as nuvens escureciam ou clareavam. Quando a lua era nova e velha, cheia e vazia. Quando era virada de ano novo e milhares de fogos iluminavam a escuridão mais do que qualquer coisa no mundo. O foco seria sempre na casa e não no hóspede - apenas para ele - mas já bastava. Amava tanto o céu, mas tanto que não se importava que fosse o único.

Ia à praias e pouco se importava com pessoas, desnudas, coitadas… nenhum músculo se comparava ao que estava no fim da imensidão. E só de ouvir falar em imensidão já sentia uma sensação de grandeza extrema, sólida… e quando fosse se banhar, o azul do mar nada seria em encontro com o azul do céu. Dizia aos vendedores de pipoca que faturariam milhões e milhões dele se vendessem saquinhos de azul e compraria dos vendedores de algodão-doce todos os exemplares incolores apenas num gesto simbólico. Espantaria os pombos com areia, pois estes podem chegar perto de seu amado, e isso provocaria ciúmes.

Descobriu-se irremediavelmente apaixonado por uma coisa que nunca poderia ter, um amor platônico. Vive tendo esperança de que, ao morrer, vire parte de todo o mundo, e assim, possa fazer pelo menos um pouquinho de parte de seu gigante azul preferido. Enquanto isso, é apenas um admirador…

Faust Arp

Thursday, July 3rd, 2008

Há dois anos, eu passei por uma bela de uma transformação. Eu estudava numa escola onde eu amava todos os meus colegas e era amigos de todos, mas a escola era pequena e acabou fechando. Então fui colocado num colégio aqui do lado de casa - literalmente do lado - onde não conhecia ninguém e as pessoas não poderiam ter menos a ver comigo. E eu fui obrigado a conviver com um monte de gente que, sinceramente, era tão diferente de mim quanto preto é de branco. Todos os meninos jogavam futebol e adoravam pagar de populares da noite e cachaceiros. As meninas todas agiam como se tivessem dezenove anos para cima e todas, sem exceção, só falam de sair, beber, pegar meninos. Eu nunca tive muito a ver com isso (até hoje não tenho)… e calhou daquela época eu estar extremamente tímido. Como nunca fui. E comecei a ter umas neuras incríveis e ser tímido de uma forma que nunca imaginei ser… e incrivelmente apenas dentro daquele ambiente.

Foi quando eu me apaixonei pela primeira vez, e aquilo mexeu comigo de uma forma que eu não consigo esquecer até hoje. Sinceramente me tornei uma pessoa amarga e desesperada. Pior do que isso, eu era sozinho. E no topo de tudo isto, eu… não sabia viver. Sinceramente tinha perdido a noção do que era viver. Não conseguia puxar assunto com ninguém nem continuar um, só conseguia ouvir e ser mecânico. Não conseguia fazer coisas normais como comer na hora do recreio sem parecer um completo de idiota. Fiquei me enchendo, de um lado, de rancor dos meus colegas e de amor por uma pessoa praticamente idealizada na minha cabeça. E isso foi uma tortura pra mim. Só pensava nessa pessoa por quem estava apaixonado com um apego desesperado, vivi num mundo da fantasia quase pior no que tenho vivido esses tempos em que eu só pensava nesta mesma pessoa com uma obsessão fria.

Aí eu criei um blog… e me fechei. Sinceramente. Só conseguia agir normal com as pessoas com as quais já agira antes. Não entendo por que fiquei tão mal assim. Entretanto, queria falar de como tenho um medo da porra de voltar àquilo, quando voltarem minhas aulas (sim, eu só falo disso). Acontece que naquela época, eu me sentia mais eu mesmo como nunca. Eu fazia as piadas que eu gostava, odiava as coisas que sinceramente GOSTO de odiar e faço as incoerências mais compatíveis comigo. Por mais que mal esteja vivendo exteriormente, hoje em dia, estou me sentindo muito parecido como que estava naquela época, pelo menos comigo mesmo. E qual é o problema, você me pergunta? O problema é que quando eu mudei, comecei a agir talvez muito mais hipocritamente do que nunca (sou uma pessoa hipócrita, admito plenamente), gostar de futebol, sair, beber, enfim… misturei, me senti normal e arranjei um bando de amigos.

Agora estou me sentindo como me sentia lá em 2006, quando meu coração batia forte por uma pessoa da qual hoje praticamente sinto pena. Mas não é por isso que me sinto. Na verdade é longe de ter um amor platônico. Estou me sentindo eu mesmo. Reclamando das coisas que sempre reclamei, fazendo o que quero, falando o que quero, ouvindo o que quero sem me importar com a opinião de ninguém. Agindo da forma mais coerente comigo mesmo. E me dá um medo de passar por aquela exclusão, sensação de ser uma pessoa positrônica. Tenho muito, muito, muito medo. Mas também não queria ser preenchido por hipocrisia, não mesmo… alguém me ajuda? Alguém me ajuda a entender se o meu problema é com o universo ou com a idade? Ou comigo, que não me dou por satisfeito por nada?

O que importa é que não é só agora que estou com medo, já tive muito medo de voltar a ficar assim. No curso, no colégio novamente, no colégio onde estou fazendo técnico… é claro que não fiquei, em nenhuma das situações… mas e o medo? Vou ter para sempre? Não quero voltar a ser um ser triste que se apega no amor ou num blog que seja, pra não ficar louco de timidez e medo de ser alguém?

A verdade é que queria mais que tudo que o mundo fosse tão parecido comigo como eu queria que fosse. Por mais que adore a sensação de ser diferente.