For now I’m faking it, til I’m pseudo-making it

Noite passada foi engraçada, porque sonhei que estávamos assistindo tv juntos. A ironia é que o que o sonho provocou em mim não foi nada engraçado. Muito pelo contrário. E no meu peito, só brilhou uma vontade extremamente familiar de que bem, assistir tv junto com uma pessoa é uma coisa completamente banal… certo? Mas não é. Não conosco. Não posso assistir televisão com você. E foi exatamente essa a sensação que brilhou no meu peito; ah, como eu queria. Não chegávamos a prestar atenção o que a tela mostrava, mas há versos que surjem na minha cabeça. Você pensa que me ama mas você não me ama. Sei e sei com a força do meu coração que estes eram os versos que a dita estava gritando, jogando na nossa cara-a-cara quilométrica. Jogando na nossa, aliás, minha cara. Não culpo a tão engraçadinha televisão, coitada. Apenas transmite uma imagem enviada por satélite, de modo que não é ela quem transmite a injustiça do que estou vendo. Injustiça? Estão é brincando com a minha cara. Vocês só podem estar brincando com a minha cara. Você só pode. Acho que vou sonhar isso amanhã, e amanhã. E até o dia que conseguir parar de dizer a mim mesmo que um dia esse sonho vai realizar. Uma simples televisão, uma boba televisão, uma penca de adjetivos que caracterizam apenas submúltiplos brincam comigo, mostrando seu poder devastador. Amar é uma coisa muito idiota. Amar é uma coisa muito injusta, traiçoeira. Amar uma televisão é uma coisa muito mais triste do que qualquer injustiça, traição. Especialmente pra quem já está acostumado. Cansei de amar e de olhar pra televisão esperando que todas aquelas imagens saissem da tela e me fizessem, por vez, por uma única vez, uma pessoa feliz. Uma pessoa acompanhada, eternizada. E no entanto, quase como se um filme de terror, imagens são infindas. Sonhos são infindos. Minha vontade de sofrer também se mostra vada vez mais infinda, infinita, masoquista. Amar é idiota. Acordar é idiota, sonhar é mais ainda. Se sonhos agissem como peças teatrais, prometo que mudaria o texto: a tv, quebraria de martelo. E você, bem, você… o martelo hesitaria, porque sou idiota, fraco, sonhador, desesperadamente sonhador…

Hesitaria…

Hesitaria como sempre fiz, como sempre farei. Sou idiota, fraco, fraco, e fraco. Não teria forças nem para quebrar a televisão. Eu estou te deixando pela última vez. Queria ter as forças da cantora, e no entanto, não tenho. E vou continuar dentro deste sonho desesperador, sempre querendo que possamos sentar no sofá e assistir a benmaldita televisão. Não, não consigo quebrá-la, óbvio que não consigo. Óbvio que não consigo fazer nada a não ser esperar que o dia-de-são-nunca, o sofá-de-são-nunca, a tv-de-são-nunca… cheguem.

Day one, day one, start over again
Step one, step one, I’m barely making sense
For now I’m faking it, ‘Til I’m pseudo-making it
From scratch begin again, But this time “I” as “I”
And not as “we”.

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