Gradação, Gradações

Ei, está um silêncio por aqui. Nenhum telefonema, nenhuma voz, nada para se apegar. Nada para agarrar. Nenhuma voz para destrinchar, nenhuma palavra para pegar e transformar numa sentença incrível cheia de significado, sentimentos. Nada. Divisão por 1. Nenhuma mensagem, nenhum momento em que todas as coisas convergem para algo ruim ou bom, nada disso. Simplesmente o puro vazio, silêncio, a solidão em forma de eco que ressoa nos ouvidos de uma alma que há tanto não consegue companhia. Ei, tem alguém aí? Tem alguém querendo compartilhar desta solidão, deste puro papel branco? Alguém para escrever, rasurar e escrever as notas da vida enquanto leio? Alguém para ler as minhas? Alguém para dizer que está tudo bem, uma voz? Uma voz. Não há vozes. Não há olás, não há despedidas, muito menos apertos de mãos, abraços, beijos. Não, há apenas sonhos. Apenas sonhos, bonitos em seu espaço de tempo, feios em seu ressoar por horas depois na vida do sonhador. Sonhos que dizem um dia vai ficar tudo bem, mas acordados que dizem que não vai ficar bem coisíssima nenhuma, e que a solidão é um estado social eterno. Social? Seria físico? Seria psicológico? Seria psiquiátrico? Talvez seja psiquiátrico. Talvez suas consequencias. Suas consequencias, de fato. O branco mais branco, e mais branco, e mais branco, e apagado.
Já não há vozes. Nunca houve vozes.
Nunca houve vozes, palavras, conversas, olhares, cuidados, carinhos, remédios. Nunca houve nada, nada, o nada, o só. Ops, o só houve. O só ha uns dias, há. Há uns dias, há. Mais de 1.095 dias, há. Há 6.205, há. O só há. Sempre houve, sempre haverá. Eles - os sonhos - dizem que não, mas mentem. Mentem como uma forma sádica de um subconsciente mal expressado, reprimido, engaiolado. Mentem de uma forma a dizer você nunca terá o que quer, embora possa lhe mostrar. Somente o só não gostaria que mostrassem. Nos dez primeiros minutos, sim. Nas próximas cinco horas, talvez. Entretanto, ao cair da noite, novamente, onde só sente que finalmente será dois, não. Definitivamente não.
Só.
Nenhum telefonema, voz, olhar, sentido, carinho, percepção, companhia. Nenhuma risada, olhar, olhar, olhar, nenhuma voz. Voz, voz, voz. Nenhum beijo, percepção, percepção. Nenhum momento a sós, nenhum momento de dois, nenhum momento em que tudo se concentra no Eu e você. Nenhum telefonema, voz, olhar, conversa, risada, carinho, nenhum, nenhum amor.

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