Diz que fui por aí
Thursday, October 30th, 2008Prometi, como se prometesse a um penhasco, que não pensaria mais em você. Sabia, achava - imaginava - que talvez, quem sabe, dê uns dias aos dias, tudo passa, tudo sempre passa. Conservo esta esperança. Conservo esta esperança com a força da minha crença mais forte de todas porque, veja, o fato é, não passou droga nenhuma. Ainda me pego, de tal forma, regulada, religiosa, abstraída e desastradamente pensando em sua existência, dia após dia, minuto após minuto. E por mais que não esteja mais sozinho, sinto-me uma carapuça, arapuca, armadilha. Sinto-me um eterno só e só, esperando o dia em que você virá, aparecer, aparecer e aparecer.
Prometi, como se prometesse a uma linha muda, que não pensaria em você, todos os dias, que não sentiria sua falta. O fato é que, conservo, ainda conservo, todas as esperanças do mundo que talvez, sim, te esqueça, mas… olho em volta, e por volta, digo-me para meus próprios olhos. O fato é que, bem, todas as esperanças do mundo não são simplesmente nada quando penso na minha vontade, ah, vontade, de abraçar, e beijar, e amar, te casar. Minha vontade de você. Penso que, mais cedo ou mais tarde, como já obtive, passará. E Deus, isso dói um pouco. Porque a loucura com que recebo, religiosamente todos os dias a notícia de mim mesmo que você não está mais aqui, e isso pode soar sem sentido, como sempre, mas tal loucura… é reconfortante. Porque a dor que sei que terei a sentir quando souber que bem, eu não sei a que horas você acordou hoje, e ontem, e se sua pessoa foi atingida por uma gripe - pra variar -, quando souber que simplesmete não sei paradeiro… tal dor, bem, é simplesmente a dor que me faz acordar todos os dias.
Prometi a mim, e principalmente a você, que não voltaria atrás com minhas decisões. Nós sabemos que sou um veterano nesse tipo de assunto. Prometi que não sairia correndo pelas minhas ruas mentais gritando seu nome, ou meu nome, e prometi um monte de coisas sabendo, lá no fundo, que jamais teria estabilidade para controlá-las até o fim. Mas estou pela corda, pelos lados. Apenas porque é o jeito, já que, em primeiro lugar, a idéia de te desapontar mais uma vez é simplesmente ameaçadora por demais e, em segundo lugar… simplesmente não queria voltar ao que éramos, não daquela forma. Então estou pela corda, pelos lados.
Tentei prometer, da forma como um garoto promete que nunca mais vai brincar na maçã proibida, que, um dia, deixaria de pensar que, novamente, um dia, terei seu amor, sua companhia. Ainda sonho, todas as noites, dias. Que um dia vai ser a hora. E tento não ficar imaginando a coisa toda, de novo e de novo, andando pelas ruas quase sendo sempre atropelado e perdendo pontos de ônibus, de uma forma quase que infantil de tão clichê. Tento não ficar imaginando o momento em que vou te dizer, com a boca cheia, ainda te amo, e você vai responder, também. Tento não imaginar isso toda hora que tenho cinco minutos livre para pensar em qualquer coisa, mesmo. Tento dizer a mim mesmo que estou sendo idiota, tento dizer a mim mesmo que, de certa forma, isso só vai tornar as coisas difíceis, mas é simplesmente impossível parar.
Prometo todas as noites - sem pular uma só - que nunca te esquecerei. Isso é um pouco contraditório a tudo que venho-me dizendo, mas é simplesmente uma sintetificação que significa que todas as memórias envolvidas a sua pessoa nunca serão excluídas de minha mente. Por mais que queira (e não queira, de forma alguma, jamais), deixar de te amar dessa forma… prometo a meu Deus, a mim mesmo, a você, todas as noites, que nunca esquecerei. Nada. Tudo que você fez, faz, faz por mim. Tudo que significa você na minha vida - mais da metade desta. Tudo o que te lembra, tudo o que me irrita em você, tudo o que me faz pensar em você de qualquer forma que eu consiga associar… tudo isto, nunca esquecerei. E sempre, antes e depois de pedir por você, saúde, amor, bem-estar, sempre, sempre digo… que você é e será, até o dia de minha morte, o amor da minha vida.
Às vezes a gente encontra rápido mesmo.