Metáfora da Existência

“Pare de me mandar cartas, elas sempre se queimam. Não é como nos filmes, que nos enchem de mentiras brandas”

Isto parece mais um banco de praça vazio. Não. Um pedestre, vândalo, há de ter passado e, de posse de um vulgar martelo levou cabo de metade da extensão do banco. Dizem ser fenômeno físico, aquele que pode ser reversível, e, no entanto, como o coração - talvez seja de fato um - age como um processo de danos que formam cicatrizes. Formam cinzas, azuis, verdes, vermelhas. Não. Vermelhas não. Cinzas não são vermelhas, tristes, sim. Vermelho, talvez, há de ser o pedaço arrancado, levado. Quem sabe esta não seja uma canção - de amor. É, o é. Talvez não devesse. Porém, dedos, os pequenos dedos, correm pelo teclado e dizem, numa voz derrotada, triste, que já não há mais o que fazer. Só conseguem expressar amor. Só conseguem expressar o que cabeça pensa, coisa ruim, coisa triste. Há quem diga que amor à primeira vista é apenas uma ilusão, há quem diga que está apaixonado em um milésimo de milésimo mas a não ser não há, não há ser, dizendo que se apaixonou sem ter visto. Sem ter posto olhos. Não há bancos levados para tais situações porque de início, nunca existiram. O vermelho é apenas uma metáfora de existência, ou não. Palavras, lidas, textos, lidos. Metáforas. Minha cabeça, não é cabeça. Talvez vegetal. Talvez concentrado de pensamentos em apenas uma existência, bela existência, bela abóbora, bela grande concentração de espera, tempo, sonhos, luzes. Apenas palavras, apenas, pequenas. Palavras, no momento, gostariam de expressar amor, companheirismo, um sentimento lindo entre duas pessoas. O sentimento que surge quando pensamentos e palavras se fundem num vácuo mental e provocam uma mudança no corpo, de pensamento. Te amo. Te amo, te amo, amo, a, ah, ah. Uma voz ecoando por uma parede de borracha que brinca de distorcer vozes, repetir, te odeio, te odeio, te odeio, odeio, odeio. Sem desaparecer. No entanto. O fato é que te amo, e essa é a coisa mais triste do mundo. Minha existência é um pacote de energia liberado num pequeno espaço de tempo, como fótons, vão, voltam, sem se ver. E mas e mais enquanto olho-me no espelho, sinto que não importa. É como diz aquela música. Questões da ciência, ciência e progresso, não falam mais alto que meu coração. Olho-me no espelho e vejo-te do meu lado, brincando de me olhar, brincando de nos olhar. Sinto seu abraço que nunca ouvi, arranquei, como se fosse uma coisa pela qual vou viver sentindo sempre que acordar até o dia de minha morte. Eu só queria que tivesse como falar alguma coisa que fizesse o nosso amor ser real. Na verdade queria muitas coisas. Queria, inclusive, fazer um texto mais bonito. Não é possível.

Vim encontrar-lhe, dizer que sinto muito
Você não sabe o quanto amável é
Tive que encontrá-lo, dizer que te preciso
Dizer que te deixei sozinho
Conte-me seus segredos, e faça-me suas perguntas
Vamos voltar para o início
Correndo em círculos, perseguindo rabos
Cabeças num silêncio separado

Ninguém disse que era fácil
É uma pena que nos separemos
Ninguém disse que era fácil
Ninguém disse que seria tão difícil assim
Oh leve-me devolta para o início

Eu estava apenas adivinhando números e figuras
Montando quebra-cabeças
Questões de ciência, ciência e progresso
Não falam mais alto que meu coração
Então diga que me ama, volte e me assombre
Oh, e eu correrei para o início
Correndo em círculos, perseguindo rabos
voltando para o que somos

Ninguém disse que seria fácil
É uma pena que tenhamos que nos separar
Ninguém disse que seria fácil

Ninguém disse que seria tão, tão, tão, tão, tão difícil
Queria poder voltar para o início.

Leave a Reply