Archive for November, 2008

4 Minute Warning

Sunday, November 30th, 2008

Durante o dia, eu tô bem.
Eu tô ótimo.
Respiro, como, vivo, não tem nada de errado.
E aí chega a noite e eu sinto a sua falta…
E aí chega a noite e eu fico tentando suprimir um monte de lembranças,
do que era,
do que poderia ter sido,
do que eu gostaria tanto que fosse.
Durante o dia, eu tô bem.
Durante a noite, eu encaro, todas as noites
um temor
Sabe, acho que estou começando a desistir de achar que vai passar.
Porque não passa.
Precisa passar.
Mas não passa.

Pra variar…

Sunday, November 23rd, 2008

Por mais que lutasse para não pensar nele, eu não lutava para esquecê-lo. Eu me preocupava – tarde da noite, quando a exaustão da privação de sono penetrava em minhas defesas – que tudo desaparecesse. Que minha mente fosse uma peneira e eu um dia não conseguisse mais me lembrar da cor exata dos seus olhos, da sensação de sua pele fria ou da textura de sua voz. Eu podia não pensar naquilo, mas queria me lembrar de tudo. Porque só havia uma coisa em que eu precisava acreditar para poder viver – eu precisava saber que ele existira. Era só. Todo o restante eu podia suportar. Desde que ele tivesse existido.

Stephenie Meyer, Lua Nova.

Pra quem nunca amou

Saturday, November 22nd, 2008

I´m hooked on you I need a fix I can’t take it just one more hit I promise I can deal with it
I´ll handle it, and quit it Just one more time, then that’s it, just a little bit more to get me through this

Estou apaixonado pela minha saudade, caso patológico. Crônico. Extremo. Estou apaixonado pelo modo como sinto falta do som - mudo - da sua voz. Estou apaixonado pela falta que suas graças me fazem. Estou apaixonado pela saudade que tenho de te imaginar rindo, das coisas que dizíamos, até amanhã. Estou apaixonado pela falta que você me faz todos os dias. Estou apaixonado pelo modo como você sorria - posso dizer, com todas os olhares que não dei - e você dizia “sorri”. Estou apaixonado pelo modo com que não tenho mais nossos cabides e mais cabides espalhados como se quisessem escrever no chão alguma coisa como “vocês se merecem”. Estou apaixonado pelo que sinto falta do modo com que desabafava e você me via ver coisas que eu simplesmente não conseguia. Estou apaixonado pela falta, porque não tenho. Certamente estaria apaixonado por todas essas coisinhas que sempre me fizeram te amar todos os dias em que pude. Só que não posso me permitir. Não posso amar mais. Não posso mais estar apaixonado.
Então estou apaixonado pela falta.
Falta, das músicas que dividíamos simbolicamente. Falta dos símbolos. Falta dos dizeres. Falta das luzes que nunca tive que acender porque o sol chegava antes de mim… sinto falta de te dizer que te amava a cada cinco minutos e falta, é claro, se ouvir você dizendo que não sabia, mas que grande surpresa. Falta, como Bella sente de Edward, como Lorelai sente de Rory, como sentimos do Toby. Vazia. Falta enfeitada com um monte de saltos que a gente dá pra dizer que está tudo bem. Falta, porque perdia a única pessoa que me fazia pensar que tudo era tão bonitinho que chegava a doer. Falta de pensar tudo no diminutivo, coisa que os idiotas apaixonados sempre fazem porque tudo de fato fica tão pequeno diante do que amamos. Inclusive a nossa tristeza.

Er…

Thursday, November 20th, 2008

Como fas escrever uma coisa feliz aqui? Sério, não consigo…

Eu sei, eu sei, tenho tantos motivos pra estar feliz tanto quanto eu tenho pra respirar. Consegui fazer esses dias, coisas que pessoas não conseguem praticamente a vida inteira, e se conseguem, isso vai bem pra mais longe dos dezessete anos. Eu sei que o problema não é com a minha vida. Está tudo nos conformes. Tenho e temos saúde, moradia, e isso já está muito bom, demais. Tenho poucos, mas ótimos amigos. Embora ainda sinta falta dos que perdi - um por uma escolha, outra porque, poderia dizer, é uma piranha filha-da-puta, mas limito-me a dizer que não sei o porquê - ainda tenho ótimos, e arranjei ótimos. Poderia dizer que é porque queria namorar alguém, e às vezes sinceramente acredito que é por isso… no entanto, começo-me a imaginar namorando e não tenho a menor certeza de que isso é o que quero. A pessoa certa simplesmente não existe, de qualquer jeito.

Minhas notas na escola estão ótimas e, falando em escola, tem ocorrido uma série de incidentezinhos por lá, porque um grupo encrenca com a minha existência, só pode. Okay, eu encreco com a deles também, mas um tratamento de emudecimento é o bastante, não? Aparentemente não. Não vou entrar em detalhes porque eu tô cagando, sério mesmo, eu tô tão acostumado com gente não gostando de mim que isso é mais comum que respirar (sem contar que eu me divirto horrores, mas…), então, de qualquer forma, é o resumo de tudo que acontece por lá. Eu simplesmente amo a minha escola. Vou, todos os dias, de bom humor, nada comparado a ano passado ou retrasado, ou eu ouvia uma daquelas minhas músicas anestésicas de alegria ou eu simplesmente virava uma múmia antes mesmo de pegar o elevador. Nessa escola não é assim. Longe disso.

Fora que o Radiohead confirmou mesmo o show, eu preciso de dinheiro. E já deixei avisado (até parece que eu tenho essa moral) pra minha mãe que se só tiver show em São Paulo eu vou pra lá, tipo de qualquer jeito. Falando em posses, posses e mais posses, meu pai vai me dar dinheiro pra eu comprar vários livros que eu tô querendo, então pelo menos eu posso me manter ocupado por um tempo. Esses dias eu tenho lido Crepúsculo e Lua Nova, aquele livro que virou sucesso… eu não sei muito bem por quê - é bem bobo, mas é legal. E eu finalmente consegui voltar a ouvir Muse saudavelmente e até consigo ouvir Citizen Erased, haha. Okay, eu sou louco, whatever.

Tá todo mundo entrando de férias, e só de pensar nisso já me dá um arrepio. Eu não aguento mais férias. Sério mesmo, se eu tiver coragem, essas férias eu vou começar a malhar compulsivamente, isso depois de voltar da praia. Porque a idéia de ficar em casa, ai, no computador, aaah, isso me enlouquece, já me da coceira. Não posso voltar a isso nem que seja meu último recurso descer pro play e ficar lendo até a sauna abrir. Sério mesmo. Odeio férias. Não aguento mais férias. E eu não vou viajar, provavelmente, porque meu pai tem que marcar a data das férias dele asap e eu nem sei quando eu entro. Queria que nunca haha enfim, se eu viajar, vai ser por tipo três semanas, e eu tenho muito mais do que isso de férias. Okay, eu sou realmente louco, contando as férias como se fosse um prazo que precisa chegar ao fim desesperadamente. Bem… é assim mesmo. É triste, realmente muito triste. Mas é, é assim, que que eu posso fazer, né?

Enfim, preciso sair da adolescência. Ainda que adore o fato de que eu não tenho quase nenhuma responsabilidade, eu simplesmente preciso parar de ser volúvel assim. Me dá um medo quando os sentimentos duram um dia. Me dá um medo quando eu penso que aquela pessoa que eu era obsessivamente ligado num dia, no seguinte, é banal. Não aguento mais a mim mesmo… meu pai ainda tá vendo o troço da psicóloga e eu espero pacientemente, porque sinceramente boto muitas esperanças nisso… preciso deixar de ser que nem eu sou, tipo, urgentemente.

Strangers

Saturday, November 15th, 2008

Minhas mãos estão fechadas sobre o peito, numa tentativa de arranhar, ou quem sabe, romper a cortina de ferro que separa meu coração do universo. Universo, este, cheio de cortinas, cheio mesmo. Umas de latão, outras revestidas por titânio, inquebráveis. Umas quebradas, mas simplesmente sem qualquer para preencher-se. E com o tempo, refazem-se. Minhas mãos estão fechadas, talvez como se quisesse proteger tudo o que não queria mostrar para as pessoas, mas talvez, lampejo… talvez seja porque estou simplesmente procurando a pessoa certa.