Archive for the ‘Depressão’ Category

Must Get Out

Monday, November 10th, 2008

Sabe aquele sentimento tão ruim e triste que você não consegue nem pôr pra fora? Então. Ultimamente estive seriamente procurando saber por onde anda a macumbeira de True Blood, porque tô me sentindo meio que se tivesse um demônio em mim. Porque sério mesmo, cada segundo de felicidade que eu tenho ou de qualquer coisa que não seja completo desânimo, simplesmente parece um momento em que estou abafando tudo de ruim que sinto. Abafando desesperadamente. Já deixou de ser uma coisa inócua em que eu acho cotidiano, a tristeza. Ela se estabeleceu e virou meu estado normal de existência. Parece que meu organismo só consegue adaptar às coisas dessa forma, tudo é ruim, e ruim, e ruim. Não sei como sair dessa situação. Só quero ficar sozinho e não quero, porque não posso, mas o simples pensamento de quaisquer um é triste demais. Na verdade, triste demais é o pensamento de existir. Porra.

Impatience

Wednesday, October 15th, 2008

Que solidão é essa, cara. Não é uma vontade de arranjar amigos não, mas que eu tô me sentindo a pessoa mais solitária nos últimos dias, eu tô. Parece que é difícil, é como se eu saísse repelindo as pessoas à minha volta, porque quando eu olho meu msn todo bloqueado, só consigo me sentir culpado dessa forma. E sabe, todas as pessoas que eu gosto na minha vida estão irremediavelmente a centenas de milhares de quilômetros, seja de mim, seja do meu coração (aff, que metáfora ridícula). Sério mesmo, acho que só consigo me apegar às coisas mais impossíveis que consigo encontrar pela frente. Por que não chega alguém aqui do lado e fica aqui do lado, sabe?

Metáfora da Existência

Thursday, October 9th, 2008

“Pare de me mandar cartas, elas sempre se queimam. Não é como nos filmes, que nos enchem de mentiras brandas”

Isto parece mais um banco de praça vazio. Não. Um pedestre, vândalo, há de ter passado e, de posse de um vulgar martelo levou cabo de metade da extensão do banco. Dizem ser fenômeno físico, aquele que pode ser reversível, e, no entanto, como o coração - talvez seja de fato um - age como um processo de danos que formam cicatrizes. Formam cinzas, azuis, verdes, vermelhas. Não. Vermelhas não. Cinzas não são vermelhas, tristes, sim. Vermelho, talvez, há de ser o pedaço arrancado, levado. Quem sabe esta não seja uma canção - de amor. É, o é. Talvez não devesse. Porém, dedos, os pequenos dedos, correm pelo teclado e dizem, numa voz derrotada, triste, que já não há mais o que fazer. Só conseguem expressar amor. Só conseguem expressar o que cabeça pensa, coisa ruim, coisa triste. Há quem diga que amor à primeira vista é apenas uma ilusão, há quem diga que está apaixonado em um milésimo de milésimo mas a não ser não há, não há ser, dizendo que se apaixonou sem ter visto. Sem ter posto olhos. Não há bancos levados para tais situações porque de início, nunca existiram. O vermelho é apenas uma metáfora de existência, ou não. Palavras, lidas, textos, lidos. Metáforas. Minha cabeça, não é cabeça. Talvez vegetal. Talvez concentrado de pensamentos em apenas uma existência, bela existência, bela abóbora, bela grande concentração de espera, tempo, sonhos, luzes. Apenas palavras, apenas, pequenas. Palavras, no momento, gostariam de expressar amor, companheirismo, um sentimento lindo entre duas pessoas. O sentimento que surge quando pensamentos e palavras se fundem num vácuo mental e provocam uma mudança no corpo, de pensamento. Te amo. Te amo, te amo, amo, a, ah, ah. Uma voz ecoando por uma parede de borracha que brinca de distorcer vozes, repetir, te odeio, te odeio, te odeio, odeio, odeio. Sem desaparecer. No entanto. O fato é que te amo, e essa é a coisa mais triste do mundo. Minha existência é um pacote de energia liberado num pequeno espaço de tempo, como fótons, vão, voltam, sem se ver. E mas e mais enquanto olho-me no espelho, sinto que não importa. É como diz aquela música. Questões da ciência, ciência e progresso, não falam mais alto que meu coração. Olho-me no espelho e vejo-te do meu lado, brincando de me olhar, brincando de nos olhar. Sinto seu abraço que nunca ouvi, arranquei, como se fosse uma coisa pela qual vou viver sentindo sempre que acordar até o dia de minha morte. Eu só queria que tivesse como falar alguma coisa que fizesse o nosso amor ser real. Na verdade queria muitas coisas. Queria, inclusive, fazer um texto mais bonito. Não é possível.

Vim encontrar-lhe, dizer que sinto muito
Você não sabe o quanto amável é
Tive que encontrá-lo, dizer que te preciso
Dizer que te deixei sozinho
Conte-me seus segredos, e faça-me suas perguntas
Vamos voltar para o início
Correndo em círculos, perseguindo rabos
Cabeças num silêncio separado

Ninguém disse que era fácil
É uma pena que nos separemos
Ninguém disse que era fácil
Ninguém disse que seria tão difícil assim
Oh leve-me devolta para o início

Eu estava apenas adivinhando números e figuras
Montando quebra-cabeças
Questões de ciência, ciência e progresso
Não falam mais alto que meu coração
Então diga que me ama, volte e me assombre
Oh, e eu correrei para o início
Correndo em círculos, perseguindo rabos
voltando para o que somos

Ninguém disse que seria fácil
É uma pena que tenhamos que nos separar
Ninguém disse que seria fácil

Ninguém disse que seria tão, tão, tão, tão, tão difícil
Queria poder voltar para o início.

For now I’m faking it, til I’m pseudo-making it

Saturday, September 13th, 2008

Noite passada foi engraçada, porque sonhei que estávamos assistindo tv juntos. A ironia é que o que o sonho provocou em mim não foi nada engraçado. Muito pelo contrário. E no meu peito, só brilhou uma vontade extremamente familiar de que bem, assistir tv junto com uma pessoa é uma coisa completamente banal… certo? Mas não é. Não conosco. Não posso assistir televisão com você. E foi exatamente essa a sensação que brilhou no meu peito; ah, como eu queria. Não chegávamos a prestar atenção o que a tela mostrava, mas há versos que surjem na minha cabeça. Você pensa que me ama mas você não me ama. Sei e sei com a força do meu coração que estes eram os versos que a dita estava gritando, jogando na nossa cara-a-cara quilométrica. Jogando na nossa, aliás, minha cara. Não culpo a tão engraçadinha televisão, coitada. Apenas transmite uma imagem enviada por satélite, de modo que não é ela quem transmite a injustiça do que estou vendo. Injustiça? Estão é brincando com a minha cara. Vocês só podem estar brincando com a minha cara. Você só pode. Acho que vou sonhar isso amanhã, e amanhã. E até o dia que conseguir parar de dizer a mim mesmo que um dia esse sonho vai realizar. Uma simples televisão, uma boba televisão, uma penca de adjetivos que caracterizam apenas submúltiplos brincam comigo, mostrando seu poder devastador. Amar é uma coisa muito idiota. Amar é uma coisa muito injusta, traiçoeira. Amar uma televisão é uma coisa muito mais triste do que qualquer injustiça, traição. Especialmente pra quem já está acostumado. Cansei de amar e de olhar pra televisão esperando que todas aquelas imagens saissem da tela e me fizessem, por vez, por uma única vez, uma pessoa feliz. Uma pessoa acompanhada, eternizada. E no entanto, quase como se um filme de terror, imagens são infindas. Sonhos são infindos. Minha vontade de sofrer também se mostra vada vez mais infinda, infinita, masoquista. Amar é idiota. Acordar é idiota, sonhar é mais ainda. Se sonhos agissem como peças teatrais, prometo que mudaria o texto: a tv, quebraria de martelo. E você, bem, você… o martelo hesitaria, porque sou idiota, fraco, sonhador, desesperadamente sonhador…

Hesitaria…

Hesitaria como sempre fiz, como sempre farei. Sou idiota, fraco, fraco, e fraco. Não teria forças nem para quebrar a televisão. Eu estou te deixando pela última vez. Queria ter as forças da cantora, e no entanto, não tenho. E vou continuar dentro deste sonho desesperador, sempre querendo que possamos sentar no sofá e assistir a benmaldita televisão. Não, não consigo quebrá-la, óbvio que não consigo. Óbvio que não consigo fazer nada a não ser esperar que o dia-de-são-nunca, o sofá-de-são-nunca, a tv-de-são-nunca… cheguem.

Day one, day one, start over again
Step one, step one, I’m barely making sense
For now I’m faking it, ‘Til I’m pseudo-making it
From scratch begin again, But this time “I” as “I”
And not as “we”.

20/20

Tuesday, September 9th, 2008

Oi, meu nome é Pedro e eu me odeio. Estou há vinte e cinco horas tentando entender o porquê. Estou há dezessete anos tentando entender o porquê. Por mais que inúmeras justificativas que mesmo que pareçam plausíveis, surjam… ainda não consegui alcançar exatamente a justificativa. Disse que talvez seja porque não consiga me sentir confortável dentro do mundo. E olha, realmente não consigo. Parece que, como descrevi outro dia em que estava particularmente desesperado, minha vida, meus dias, meu momentos, todos estão separados de mim por uma fina linha de vidro. Penso que estou vivendo e na prática de fato estou, e no entando, sinto como se estivesse num sonho. Como se tudo fosse se dissolver do nada que nem papel jogado no fogo e que a realidade de fato vai aparecer. Matrix. Disse que, talvez, seja porque minha vista é sempre pontuada por uma pequena bolinha que voa pelos cantos do meu olho que não me deixa ver nada, ou talvez porque tenha um raciocínio lerdo demais, e esteja por demais atrasado na vida estudantil. Talvez porque tenho alergia pelo corpo todo quando fico agitado. Talvez porque minhas lentes de contato me incomodam. Talvez porque sou baixo demais, talvez porque minha coluna seja torta. A verdade é que eu me odeio. Muito. E parece que vou ser infeliz para o resto de minha vida porque não consigo conviver comigo mesmo e com meus defeitos. Porque odeie minha depressão, o modo como consigo ser absolutamente irritado e miserável, e o modo como consigo ser absolutamente volúvel de uma coisa para outra. Talvez porque não consiga arranjar um motivo para minha vida patética. Patética. Só sei que me odeio… o que fiz para merecer tanto desgosto?