Archive for the ‘Eu que fiz, ok?’ Category

4 Minute Warning

Sunday, November 30th, 2008

Durante o dia, eu tô bem.
Eu tô ótimo.
Respiro, como, vivo, não tem nada de errado.
E aí chega a noite e eu sinto a sua falta…
E aí chega a noite e eu fico tentando suprimir um monte de lembranças,
do que era,
do que poderia ter sido,
do que eu gostaria tanto que fosse.
Durante o dia, eu tô bem.
Durante a noite, eu encaro, todas as noites
um temor
Sabe, acho que estou começando a desistir de achar que vai passar.
Porque não passa.
Precisa passar.
Mas não passa.

Pra quem nunca amou

Saturday, November 22nd, 2008

I´m hooked on you I need a fix I can’t take it just one more hit I promise I can deal with it
I´ll handle it, and quit it Just one more time, then that’s it, just a little bit more to get me through this

Estou apaixonado pela minha saudade, caso patológico. Crônico. Extremo. Estou apaixonado pelo modo como sinto falta do som - mudo - da sua voz. Estou apaixonado pela falta que suas graças me fazem. Estou apaixonado pela saudade que tenho de te imaginar rindo, das coisas que dizíamos, até amanhã. Estou apaixonado pela falta que você me faz todos os dias. Estou apaixonado pelo modo como você sorria - posso dizer, com todas os olhares que não dei - e você dizia “sorri”. Estou apaixonado pelo modo com que não tenho mais nossos cabides e mais cabides espalhados como se quisessem escrever no chão alguma coisa como “vocês se merecem”. Estou apaixonado pelo que sinto falta do modo com que desabafava e você me via ver coisas que eu simplesmente não conseguia. Estou apaixonado pela falta, porque não tenho. Certamente estaria apaixonado por todas essas coisinhas que sempre me fizeram te amar todos os dias em que pude. Só que não posso me permitir. Não posso amar mais. Não posso mais estar apaixonado.
Então estou apaixonado pela falta.
Falta, das músicas que dividíamos simbolicamente. Falta dos símbolos. Falta dos dizeres. Falta das luzes que nunca tive que acender porque o sol chegava antes de mim… sinto falta de te dizer que te amava a cada cinco minutos e falta, é claro, se ouvir você dizendo que não sabia, mas que grande surpresa. Falta, como Bella sente de Edward, como Lorelai sente de Rory, como sentimos do Toby. Vazia. Falta enfeitada com um monte de saltos que a gente dá pra dizer que está tudo bem. Falta, porque perdia a única pessoa que me fazia pensar que tudo era tão bonitinho que chegava a doer. Falta de pensar tudo no diminutivo, coisa que os idiotas apaixonados sempre fazem porque tudo de fato fica tão pequeno diante do que amamos. Inclusive a nossa tristeza.

Tick tock

Wednesday, November 5th, 2008

Metros à frente, viu seu primeiro amor. Ali, repousava como se nada tivesse feito, como se o tempo não tivesse de fato passado. Da exata maneira que lembrava estar há um, dois anos atrás. Atravessou a rua, de modo a evitar, assim que o presságio de sua presença o abateu a metros de distância. Parecia olhar em sua direção, se iludiu, pela milésima-centésima vez. Só que dessa vez pouco o importava, na verdade, assim o quis. Sentou-se num lugar invisível ao seu, uma vez, tão desejado, tão quisto. Olhou sem tentar olhar, lembrou sem tentar olhar, ao que pensava, não é possivel que isto ainda me abale, não é possivel que isto ainda me abale, não é possivel que isto ainda me abale. Mas abalava. Pura crueldade, seu coração começou a bater, sua boca seca, isso a uma distância de talvez, quilômetros. Não sentia um assomo do antigo sentimento, na verdade, eram apenas lembranças por forte demais para lhe deixar na indiferença. Chegasse mais perto, sentiria aquele perfume que o inebriava, aquela voz que o deixava absolutamente quebrado e encantado, aquelas roupas de sempre, lindas, lindas. Não se permitiria a isso, mas é claro. Num gesto que estava habituado a fazer de brincadeira, fez das mãos um formato de arma de fogo e apontou para o próprio pescoço. Hesitou, e antes de fazer o barulho de tiro, apontou para seu primeiro amor e atirou, com toda a força. Seus ressentimentos, descasos, agrados, tudo. Tudo o que já amara um dia e duvidava que se tivesse outra chance amaria novamente. Toda a porra da sua platonicidade indiferente. Mandou tudo isso numa bala imaginária que atravessou jardins, portão, tudo.

Se sentiu extremamente orgulhoso.

Diz que fui por aí

Thursday, October 30th, 2008

Prometi, como se prometesse a um penhasco, que não pensaria mais em você. Sabia, achava - imaginava - que talvez, quem sabe, dê uns dias aos dias, tudo passa, tudo sempre passa. Conservo esta esperança. Conservo esta esperança com a força da minha crença mais forte de todas porque, veja, o fato é, não passou droga nenhuma. Ainda me pego, de tal forma, regulada, religiosa, abstraída e desastradamente pensando em sua existência, dia após dia, minuto após minuto. E por mais que não esteja mais sozinho, sinto-me uma carapuça, arapuca, armadilha. Sinto-me um eterno só e só, esperando o dia em que você virá, aparecer, aparecer e aparecer.

Prometi, como se prometesse a uma linha muda, que não pensaria em você, todos os dias, que não sentiria sua falta. O fato é que, conservo, ainda conservo, todas as esperanças do mundo que talvez, sim, te esqueça, mas… olho em volta, e por volta, digo-me para meus próprios olhos. O fato é que, bem, todas as esperanças do mundo não são simplesmente nada quando penso na minha vontade, ah, vontade, de abraçar, e beijar, e amar, te casar. Minha vontade de você. Penso que, mais cedo ou mais tarde, como já obtive, passará. E Deus, isso dói um pouco. Porque a loucura com que recebo, religiosamente todos os dias a notícia de mim mesmo que você não está mais aqui, e isso pode soar sem sentido, como sempre, mas tal loucura… é reconfortante. Porque a dor que sei que terei a sentir quando souber que bem, eu não sei a que horas você acordou hoje, e ontem, e se sua pessoa foi atingida por uma gripe - pra variar -, quando souber que simplesmete não sei paradeiro… tal dor, bem, é simplesmente a dor que me faz acordar todos os dias.

Prometi a mim, e principalmente a você, que não voltaria atrás com minhas decisões. Nós sabemos que sou um veterano nesse tipo de assunto. Prometi que não sairia correndo pelas minhas ruas mentais gritando seu nome, ou meu nome, e prometi um monte de coisas sabendo, lá no fundo, que jamais teria estabilidade para controlá-las até o fim. Mas estou pela corda, pelos lados. Apenas porque é o jeito, já que, em primeiro lugar, a idéia de te desapontar mais uma vez é simplesmente ameaçadora por demais e, em segundo lugar… simplesmente não queria voltar ao que éramos, não daquela forma. Então estou pela corda, pelos lados.

Tentei prometer, da forma como um garoto promete que nunca mais vai brincar na maçã proibida, que, um dia, deixaria de pensar que, novamente, um dia, terei seu amor, sua companhia. Ainda sonho, todas as noites, dias. Que um dia vai ser a hora. E tento não ficar imaginando a coisa toda, de novo e de novo, andando pelas ruas quase sendo sempre atropelado e perdendo pontos de ônibus, de uma forma quase que infantil de tão clichê. Tento não ficar imaginando o momento em que vou te dizer, com a boca cheia, ainda te amo, e você vai responder, também. Tento não imaginar isso toda hora que tenho cinco minutos livre para pensar em qualquer coisa, mesmo. Tento dizer a mim mesmo que estou sendo idiota, tento dizer a mim mesmo que, de certa forma, isso só vai tornar as coisas difíceis, mas é simplesmente impossível parar.

Prometo todas as noites - sem pular uma só - que nunca te esquecerei. Isso é um pouco contraditório a tudo que venho-me dizendo, mas é simplesmente uma sintetificação que significa que todas as memórias envolvidas a sua pessoa nunca serão excluídas de minha mente. Por mais que queira (e não queira, de forma alguma, jamais), deixar de te amar dessa forma… prometo a meu Deus, a mim mesmo, a você, todas as noites, que nunca esquecerei. Nada. Tudo que você fez, faz, faz por mim. Tudo que significa você na minha vida - mais da metade desta. Tudo o que te lembra, tudo o que me irrita em você, tudo o que me faz pensar em você de qualquer forma que eu consiga associar… tudo isto, nunca esquecerei. E sempre, antes e depois de pedir por você, saúde, amor, bem-estar, sempre, sempre digo… que você é e será, até o dia de minha morte, o amor da minha vida.

Às vezes a gente encontra rápido mesmo.

I Lust U

Tuesday, October 28th, 2008

Enquanto olhava para a página em branco e palavras lhe surgiam num turbilhão, ela pensou, talvez jogando-as dessa forma, nada lhe faria sentido, talvez. Talvez usasse os pronomes incorretamente. Enquanto pensava como lhe surgiria pensamentos, como os organizaria, ela disse, vou escrever. Escreveria, talvez, como sentiria seu olhar, no dela; Sem talvez - escreveria, de fato, sobre seu olhar no dela, no entanto não soubesse. Escreveria porque já imaginara tantas, e tantas, e tantas vezes que já não adiantava tentar escapatória. Olhos, boca, sorriso, sua mente era um arco-íris. A barba dele em seu rosto, seu sorriso em seu rosto, sua voz em seu ouvido, e já estava ela tentando se concentrar. Caderno, caneta, matéria, átomos, energia, força de atrito, atrito, atrito, barba, rosto, olhos verdes. Inescapatória, ela escreveu na mesa. Riscou. Escreveu um início de um pedaço de uma música, But I love you if the price is r, riscou. E lá estava ela, olhos, azuis, verdes, e tentava se concentrar novamente, porque se não o fizesse, reprovaria. Reprovaria para a matéria, força de atrito, atrito, e também reprovaria a si mesma, aos seus olhos. Olhos, azuis, verdes, barba, nariz, sorriso, amor, porra, presta atenção na aula, caralho.