Archive for the ‘Filosofando.com’ Category

Disloyal Order Of Water Buffaloes

Friday, January 2nd, 2009

Meu castelo de cartas foi destruído mais uma vez. Droga. Parece que todas as vezes que consigo construir um, alguém sopra. Parece que as próprias cartas se dobram mais que quase maliciosamente, como se apontassem pra mim e disessem, bum. É, pois é, Pedro, lá está você, um quadro enorme pendurado no muro da vergonha dos mal-amados. Olhando pro seu celular esperando ele apitar, andando de um lado para o outro no quarto assistindo a própria destruição de todos os meus sentimentos… de novo. Fingindo que a vida é feia enquanto diz a si mesmo que é feia, porque as pessoas são tão ruins e boas ao mesmo tempo, mas na verdade simplesmente é porque não sabe apreciar nada disso. Lá está seu quadro, pendurado, rejeitado, jogado na malinha dos desejos irrealizados. Lá está você, se debatendo, mais uma vez dizendo que não quer nada e só quer uma coisa em especial - aquela que não pode ter. Você é desesperadamente ansioso e ansioso, e pior de tudo, apegado. E acima de tudo, indubitavelmente exigente. Você só quer um, o um que você pôs na cabeça que quer e só uma bola de basquete atingida em cheio na cuca pra fazer esquecer. Talvez nem isso. É. Nem isso.

E você pede pelo tão dolorosa e calorosamente que esquece de pedir por si mesmo. Esquece que possui um corpo, uma existência e uma existência pra viver. Esquece de tudo isso e só fica pensando numa perfeição que está sendo desperdiçada, no seu arrependimento do passado, vontade de voltar para aquele dia e pedir ao maximo que nada daquilo acontecesse com você. Você perde pelo fim de sua solidão, mas não consegue suportar essa substituição, na verdade não suporta qualquer substituição. Ninguém serve, não há vivalma, bonita, feia, chata, legal, interessante, inteligente, ninguém supera. Porque ninguém é a pessoa amada, ninguém é e nunca vai ser. Não é com essa bonita, inteligente e interessante que você disse o primeiro Eu te amo, tampouco planejou em morar numa casa com um filho e muito menos planejou o nome deste. O pior de tudo é que se um dia planejar, chegar a pensar em planejar vai sair comparando cada mínimo detalhe do novo com o antigo, então fode tudo e volta tudo, tudo mesmo.

Porque volta, em duas semanas, dois dias, dois minutos. Volta como a certeza de que vai ventar, e às vezes venta, e forte. Volta com toda a força que um dia teve, e a vontade de realizar os planos ditos e não ditos e a vontade de fazer tudo o que sempre sonhou em querer fazer, vem, e vem da forma mais diabólica e traiçoeira, em formato de gotas de solidão. Que queimam. Se eu, com dezessete anos pudesse dizer pra você o que é amar, eu diria que é a coisa mais ingrata do mundo. Você gasta todos os seus ATPs e sua cabeça, memória, sorriso… querendo uma pessoa que no final das contas é só uma pessoa. É só uma pessoa feita de carne e osso ATPS cabeça memória sorriso e você se diz, você tem a ousadia de dizer a si mesmo (e às vezes pra ela) que ela culmina sua existência. Que ingratidão! E um dia tudo isso acaba, como uma explosão atômica que simplesmente desaparece. E você fica pensando pra que caralho a quatro serviram todos aqueles raios que você soltou, e pior ainda, ainda está soltando.

É, é um sonho. Existe um vazio humano, que dizemos que possuímos quando não amamos, mas sério mesmo, o que é amar? Uma coisa vazia que exige de você tudo o que você, depois de um tempo, não está disposto a dar. Às vezes até nem queria dar em primeiro lugar, e, ou foi obrigado, ou estraçalhou um coração, por assim dizer. Coração. Palavra que me incita a fúria, porque se você parar pra pensar, nada dele tem a ver com o amor. Pelo contrário, caros, pelo contrário. Acho que é aquela parte do sistema nervoso que é responsável por administrar o momento em que passa o efeito de alguma substância alucinógena ou aquela hora em que nosso momento de euforia instantâneo passa e já estamos reles e formigueiros novamente.

Siga minha campanha. Estou amando, estou completamente estraçalhado (meu cérebro, porque meu coração está bombeando o sangue como se nada tivesse acontecido, às vezes acelerando, mas ainda despreocupado) esquecido num muro patético onde jazem centenas de bilhões de pessoas com caras de cu iguais a minha. Boicote o amor. Não tem nada de bom. É só ilusão e esquecimento. É só alusão e devastamento. É só idealização e mentiras, lavadas, jogadas na sua cara como aquelas bolinhas de papel que jogam em você por você ser diferente. É só um cuspe na sua cara, e não aquele que chamamos de beijo, mesmo.

É ESQUECIMENTO.

Strangers

Saturday, November 15th, 2008

Minhas mãos estão fechadas sobre o peito, numa tentativa de arranhar, ou quem sabe, romper a cortina de ferro que separa meu coração do universo. Universo, este, cheio de cortinas, cheio mesmo. Umas de latão, outras revestidas por titânio, inquebráveis. Umas quebradas, mas simplesmente sem qualquer para preencher-se. E com o tempo, refazem-se. Minhas mãos estão fechadas, talvez como se quisesse proteger tudo o que não queria mostrar para as pessoas, mas talvez, lampejo… talvez seja porque estou simplesmente procurando a pessoa certa.

Orbital Twirl

Saturday, November 8th, 2008

Escrever um livro. Pular de pára-quedas. Pular de asa-delta. Nadar. Show do Radiohead. Ter um psicólogo. Ser alto. Voar. Ter dinheiro, muito dinheiro. Morar em Ipanema. Morar na Grécia. Passar minha lua-de-mel na Grécia. Deixar de ser extremamente volúvel. Amigos aos montes. Terminar a faculdade mais cedo do que deveria. Emagrecer. Operar os olhos. Morar ao lado da praia. Andar de bicicleta regularmente. Viver cercado por pessoas com quem posso confiar inteiramente. Pagar o que minha mãe quiser, a hora que ela quiser. Ser um profissional extremamente bem-sucedido e brilhante. Vencer todos os contra-pesos. Desatordoar-se por completo. Ser livre. Ter um casamento. Poder casar. Ter um HD melhor, de 1 Tera. Descobrir um sentido para a vida. Arranjar um estilo próprio. Vencer um pouco da timidez. Ter experiências para contar. Ganhar na mega-sena. Trazer meu pai mais para perto. Encontrar certa pessoa. Pilotar um avião. Ter todos Agatha Christie’s. E Stephen King’s. E Sidney Sheldon’s. Ser PHD. Ter sessenta e cinco pares de All Star. Fazer um design decente pra esse blog. Gostar de alguém sem contras, ou aprender a aguentá-los. Gostar das coisas que pode ter, e não o contrário. Comprar todas as roupas que quiser. Comprar todas as coisas que quiser. Aprender a abrir saquinhos de miojo. Escrever outros livros. Deixar de ser viciado no orkut. Deixar de ser viciado em paixonites. Malhar todos os dias. Deixar de ser falso. Deixar de mentir. Deixar de… deixar de se obrigar a fazer as coisas. Deixar.

A arte do padrão

Thursday, June 26th, 2008

Seja um paradoxo. Diga que quer e não quer. Seja o oposto do que era ontem, seja algo que jamais imaginou. Surpreenda os outros, surpreenda a si mesmo. Faça sobrancelhas levantarem e bocas se abrirem. Abra sua própria boca a olhar no espelho e ver que aquele ser dali é alguém cujas ações são interminavelmente imprevisíveis. Seja alguém cujo destino é incerto, cuja vontade de crescer é tão grande quando a vontade de sumir e desaparecer da face da Terra. Diga sim, mas diga não. Não seja uma metamorfose ambulante… seja mais do que isso. Faça suas opiniões durarem apenas uma noite.

Morra sozinho.

Don’t Panic

Monday, June 9th, 2008

O termo “muito bom pra ser verdade” é a coisa mais injusta do mundo. Por que tudo que é muito bom, tem que ser irreal? Por que não dá pra simplesmente acontecerem coisas boas e pronto? Sim, eu sei, a vida não quer mimar a gente. Mas não deixa de ser uma porra de uma injustiça. Por que a gente não pode ser feliz o tempo todo e ter uma pequena ajuda das circunstâncias? É um absurdo. É um absurdo que todo mundo já esteja acostumado a desconfiar quando coisas acontecem muito boas. Quando a esmola é muita, o santo desconfia. Um absurdo. Isso dá um medo desesperador de ser feliz e aceitar que certas coisas boas acontecem sim.

Quando vemos nos livros ou nos filmes famílias felizes, é sinal que vai ocorrer uma tragédia com aquelas pessoas. E das grandes. Uma doença, é o primeiro pensamento. Até a mídia aprendeu a se acostumar com a síndrome dos problemas… todo mundo tem que ter problemas pra sobreviver. Se você é feliz, livre, amado e ama… você está enfrentando apenas uma clássica situação de maré boa que antecede a tempestade, por assim dizer. E isso é muito injusto. Você quer se apegar ao que tem a agradecer, porque mais cedo ou mais tarde você vai perder tudo aquilo. E prepare-se, pois não há nada que possa fazer para evitar a perda.

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É tão triste. Parece que realmente não existe felicidade pra ninguém até a morte. Parece que a gente tem sempre que se apaixonar por aquela pessoa que nem liga pra gente. Parece que a gente tem sempre que ser barrado de fazer o que quer por uma circunstância muitas vezes boba ou simbólica. Parece que a gente não consegue simplesmente dar sorte, amar e ser amado e ser simplesmente uma pesssoa… feliz. Não nascemos para ser feliz. Nascemos pra tentar, tentar, e quando conseguimos é como se fosse um único suspiro ao sair debaixo d’água antes de voltar. Dura apenas alguns segundos. E depois você volta a lutar e lutar pra conseguir esse suspiro mais uma vez. É deprimente e decepcionante.

É só olhar que todos os casais felizes sempre sofrem algum abalo enorme. Ou então uma separação, traição. É só olhar e ver que as famílias completas e invejáveis, sempre se separam. Não estou falando que não deve haver brigas e desentendimentos. Estou falando que é uma injustiça que as pessoas que se amam, muitas vezes não podem ficar juntas simplesmente porque… ninguém sabe. Só não podem.

Queria trazer todas as pessoas que eu amo pra perto de mim. Queria que todas as pessoas que eu amo, me amassem também. Queria viver livre de tristeza. Mas é tudo muito bom pra ser verdade…