Inspiração… É uma coisa complicada, quando se tenta pensar dez mil coisas ao mesmo tempo. Viver dez mil situações ao mesmo tempo. Talvez seja essa a minha sede, depois de sofrer quase que uma perseguição mental por seis meses, uma prisão domiciliar, de viver grandes coisas sem ter pausa para respirar. Gosto disso. Gostaria, na verdade, que minha vida fosse sempre assim, à mil, conflitante, impactante. Sei lá. Eu sei que eu gosto. Não de machucar pessoas, não de ser infinitamente machucado todos os dias pelas mesmas, mas de viver, sentir, participar de várias situações. Mas inegável, inspiração é complicado quando não se tem nem dez minutos pra processar tudo que lhe acabou de acontecer. Seil lá… nem sei porque vim escrever isso aqui, é pura vontade aplicada mesmo, até porque devia estar dormindo porque amanhã começa cedo. É né.
Depressão… parece que isso não sai de mim, sabe? Seja por causa de um amor não correspondido, mas seja, em maior parte, pura e simples depressão. Às vezes eu desejo com todo o desespero do mundo voltar a ser criança quando eu achava que quando eu crescesse, ia conhecer o mundo, as pessoas, e isso seria tão bom. Que o mundo reservava coisas tão legais, excitantes. O mesmo tipo de coisa que hoje eu vejo, faço, sinto, e me pego pensando, Mas isso não é tão bom assim. Sei lá. Dá um vazio, uma sensação de que é simplesmente aquilo enquanto na minha infância eu imaginava um Aquilo. E isso torna a vida e minhas esperanças de me divertir nela, um tanto quanto banais. Isso me deprime. Profundamente. Cara, tô cansando de mim, da minha cabeça, dos meus pensamentos. São tristes, sempre tristes, e dá uma vontade de explodir comigo mesmo quando eu prevejo uma dessas situações vindo. Eu sou um chato, a verdade é essa.
Estudos… coisas complicadas. Amo química, física, matemática, parece que quando estou exercitando, pensando, várias peças simplesmente se encaixam. É uma coisa tão bela, a exatidão, sabe, por alguns minutos, enquanto faço bobos exercícios de matemática sinto como se pela primeira vez, pelo mero espaço de poucos segundos as coisas simplesmente não são tristes, jogadas, acasadas. Tudo simplesmente FAZ sentido. Coisa que não consigo encontrar para o mundo. Para as coisas. Tenho, às vezes, ao andar pela rua, ou até mesmo trancado dentro de casa, o que chamo de lapsos analíticos. Simplesmente, de um momento para o outro, me sinto totalmente estranho e questiono, inevitavelmente, o porquê de cada pequena coisa que faço… por que aquelas pessoas estão andando daquela forma? Para onde estão indo? Por que elas fazem desse modo? Por que elas fazem? Por que viver? Por que não simplesmente ficar em casa esperando a morte? Por que? Por que toda essa porcaria?
É assim mesmo, vai de um simples “por que isso aqui é azul?” até um “por que ninguém explodiu esse planeta Terra ainda?!”. É simplesmente triste, sabe, começo a ter raiva de tudo, tudo, acho as coisas hipócritas, sem sentido. Isso me mata. E voltando aos estudos - estou numa escola que é simplesmente o melhor lugar onde eu poderia estar. Ando pelos corredores pensando que a escolha que eu fiz de ir pra lá talvez tenha sido a melhor que fiz. Entretanto, estou velho. Tenho dezessete anos e nem na metade do primeiro ano estou. Isso me dá um pânico absurdo, uma sensação de urgência que eu não aguento. Mas sei lá, eu não faria de outra forma, principalmente agora que o destino esfrega na minha cara todos os dias que meu colégio é simplesmente Foda com F maiúsculo. Só espero que continue assim pelos quatro anos que tenho ali pela frente.
Não sei do que estou reclamando de fato, na verdade, amigos me saem pelas bordas, talvez nem tão amigos, mas companhias; família, nossa, acho que nem se eu agradecesse todos os dias por ela - tá, eu faço isso - seria diferente; Sei lá. Sei lá do que que eu tô falando. Just babbling. Embora ainda queira um psicólogo…