Metáfora da Existência

October 9th, 2008

“Pare de me mandar cartas, elas sempre se queimam. Não é como nos filmes, que nos enchem de mentiras brandas”

Isto parece mais um banco de praça vazio. Não. Um pedestre, vândalo, há de ter passado e, de posse de um vulgar martelo levou cabo de metade da extensão do banco. Dizem ser fenômeno físico, aquele que pode ser reversível, e, no entanto, como o coração - talvez seja de fato um - age como um processo de danos que formam cicatrizes. Formam cinzas, azuis, verdes, vermelhas. Não. Vermelhas não. Cinzas não são vermelhas, tristes, sim. Vermelho, talvez, há de ser o pedaço arrancado, levado. Quem sabe esta não seja uma canção - de amor. É, o é. Talvez não devesse. Porém, dedos, os pequenos dedos, correm pelo teclado e dizem, numa voz derrotada, triste, que já não há mais o que fazer. Só conseguem expressar amor. Só conseguem expressar o que cabeça pensa, coisa ruim, coisa triste. Há quem diga que amor à primeira vista é apenas uma ilusão, há quem diga que está apaixonado em um milésimo de milésimo mas a não ser não há, não há ser, dizendo que se apaixonou sem ter visto. Sem ter posto olhos. Não há bancos levados para tais situações porque de início, nunca existiram. O vermelho é apenas uma metáfora de existência, ou não. Palavras, lidas, textos, lidos. Metáforas. Minha cabeça, não é cabeça. Talvez vegetal. Talvez concentrado de pensamentos em apenas uma existência, bela existência, bela abóbora, bela grande concentração de espera, tempo, sonhos, luzes. Apenas palavras, apenas, pequenas. Palavras, no momento, gostariam de expressar amor, companheirismo, um sentimento lindo entre duas pessoas. O sentimento que surge quando pensamentos e palavras se fundem num vácuo mental e provocam uma mudança no corpo, de pensamento. Te amo. Te amo, te amo, amo, a, ah, ah. Uma voz ecoando por uma parede de borracha que brinca de distorcer vozes, repetir, te odeio, te odeio, te odeio, odeio, odeio. Sem desaparecer. No entanto. O fato é que te amo, e essa é a coisa mais triste do mundo. Minha existência é um pacote de energia liberado num pequeno espaço de tempo, como fótons, vão, voltam, sem se ver. E mas e mais enquanto olho-me no espelho, sinto que não importa. É como diz aquela música. Questões da ciência, ciência e progresso, não falam mais alto que meu coração. Olho-me no espelho e vejo-te do meu lado, brincando de me olhar, brincando de nos olhar. Sinto seu abraço que nunca ouvi, arranquei, como se fosse uma coisa pela qual vou viver sentindo sempre que acordar até o dia de minha morte. Eu só queria que tivesse como falar alguma coisa que fizesse o nosso amor ser real. Na verdade queria muitas coisas. Queria, inclusive, fazer um texto mais bonito. Não é possível.

Vim encontrar-lhe, dizer que sinto muito
Você não sabe o quanto amável é
Tive que encontrá-lo, dizer que te preciso
Dizer que te deixei sozinho
Conte-me seus segredos, e faça-me suas perguntas
Vamos voltar para o início
Correndo em círculos, perseguindo rabos
Cabeças num silêncio separado

Ninguém disse que era fácil
É uma pena que nos separemos
Ninguém disse que era fácil
Ninguém disse que seria tão difícil assim
Oh leve-me devolta para o início

Eu estava apenas adivinhando números e figuras
Montando quebra-cabeças
Questões de ciência, ciência e progresso
Não falam mais alto que meu coração
Então diga que me ama, volte e me assombre
Oh, e eu correrei para o início
Correndo em círculos, perseguindo rabos
voltando para o que somos

Ninguém disse que seria fácil
É uma pena que tenhamos que nos separar
Ninguém disse que seria fácil

Ninguém disse que seria tão, tão, tão, tão, tão difícil
Queria poder voltar para o início.

Letra e música é o cacete

October 6th, 2008

Sério mesmo, meu irmão entrou numa onda de que ele realmente sabe tocar instrumentos musicais. E ninguém se importa de dizer pra ele que… não. Er… não. Primeiro ele resolveu que ia ser baixista, aí minha mãe dentre vários pela, arranjou um baixo das profundezas, um amplificador enorme e até um vídeo de um cara qualquer - Sherlock Gomes, pra você ver o nível - ensinando principiantes a tocar baixo. Okay, depois de uns dias em que ele quase fez cerimônias cabalísticas em cima do instrumento começou a cagar pra tudo que minha mãe tinha morrido pra arranjar e tacou o baixo em qualquer lugar da casa, fez-se mesa do amplificador e o videozinho do Sherlock Gomes rodou pela casa incessantemente enquanto todo mundo zoava o carinha. Enfim, a única alternativa da minha mãe foi devolver a porra toda e se bobear meu irmão nem sabe que foi devolvido. Seja como for, depois ele resolveu que, depois de sem sucesso tentando tocar pandeiro na igreja, iria tocar bateria. Tipo fucking bateria. Algumas coisas tipo básicas que ele esqueceu, foi que assim, ele mora num apartamento mínimo com mais cinco pessoas. E minha mãe também meio que esqueceu e nem o barulho absolutamente ensurdecedor da bateria enquanto ela tenta ver TV - porque sim, a bateria tá na sala - fazela se lembrar que assim, isso é um pouco demais. Minha sala, por volta das sete da noite funciona da seguinte maneira: ele tocando bateria com muita raiva e força tentando aparecer pra sei-lá-quem porque oi ninguém se importa, minha mãe com a televisão no máximo pra ouvir (sem ouvir), minha irmã e o namorado pnc conversando sobre their lame lives e minha irmã no computador tentando tipo, estudar (?!). Ah, claro, e eu com minha musiquinha pseudo-indie no quarto no máximo volume pra irritar todo mundo que deixa esse louco tocar bateria nessa casa. Ou seja: surdez, barulho, baderna, loucura. Melhor é a resposta da minha mãe quando eu reclamo: Mas ele tá estudando. Ai, só rindo mesmo, viu! Estudando?! Gente, olha só, pelo amor de Deus, só eu tenho bom-senso por aqui? Melhor foi outro dia que eu queria tipo, dormir pra ir pra aula, uma coisa assim, importantezinha e pedi pra minha mãe tirar ele da bateria. Ela tirou ok, mas ele, num momento incrivelmente adulto de sua existência, ficou puto e resolveu que ia se vingar. Mais tarde, no fim-de-semana, ele resolveu que queria dormir tipo dez da noite (fim de semana, veja bem) e mandou minha mãe me tirar do computador. Imaginam o que minha mãe fez, né?! Eu fico tipo, tá bom, só preciso me mudar daqui o quanto antes. Acho que ele tá um pouco over a bateria hoje, porque ele trouxe uma FUCKING. GAITA. pra casa. Tipo, uma gaita. G-A-I-T-A. Gente, super me senti em Junho. Sério mesmo. Vai se fuder. Get a life. Vai estudar matemática. Eu ein.

Gradação, Gradações

September 27th, 2008

Ei, está um silêncio por aqui. Nenhum telefonema, nenhuma voz, nada para se apegar. Nada para agarrar. Nenhuma voz para destrinchar, nenhuma palavra para pegar e transformar numa sentença incrível cheia de significado, sentimentos. Nada. Divisão por 1. Nenhuma mensagem, nenhum momento em que todas as coisas convergem para algo ruim ou bom, nada disso. Simplesmente o puro vazio, silêncio, a solidão em forma de eco que ressoa nos ouvidos de uma alma que há tanto não consegue companhia. Ei, tem alguém aí? Tem alguém querendo compartilhar desta solidão, deste puro papel branco? Alguém para escrever, rasurar e escrever as notas da vida enquanto leio? Alguém para ler as minhas? Alguém para dizer que está tudo bem, uma voz? Uma voz. Não há vozes. Não há olás, não há despedidas, muito menos apertos de mãos, abraços, beijos. Não, há apenas sonhos. Apenas sonhos, bonitos em seu espaço de tempo, feios em seu ressoar por horas depois na vida do sonhador. Sonhos que dizem um dia vai ficar tudo bem, mas acordados que dizem que não vai ficar bem coisíssima nenhuma, e que a solidão é um estado social eterno. Social? Seria físico? Seria psicológico? Seria psiquiátrico? Talvez seja psiquiátrico. Talvez suas consequencias. Suas consequencias, de fato. O branco mais branco, e mais branco, e mais branco, e apagado.
Já não há vozes. Nunca houve vozes.
Nunca houve vozes, palavras, conversas, olhares, cuidados, carinhos, remédios. Nunca houve nada, nada, o nada, o só. Ops, o só houve. O só ha uns dias, há. Há uns dias, há. Mais de 1.095 dias, há. Há 6.205, há. O só há. Sempre houve, sempre haverá. Eles - os sonhos - dizem que não, mas mentem. Mentem como uma forma sádica de um subconsciente mal expressado, reprimido, engaiolado. Mentem de uma forma a dizer você nunca terá o que quer, embora possa lhe mostrar. Somente o só não gostaria que mostrassem. Nos dez primeiros minutos, sim. Nas próximas cinco horas, talvez. Entretanto, ao cair da noite, novamente, onde só sente que finalmente será dois, não. Definitivamente não.
Só.
Nenhum telefonema, voz, olhar, sentido, carinho, percepção, companhia. Nenhuma risada, olhar, olhar, olhar, nenhuma voz. Voz, voz, voz. Nenhum beijo, percepção, percepção. Nenhum momento a sós, nenhum momento de dois, nenhum momento em que tudo se concentra no Eu e você. Nenhum telefonema, voz, olhar, conversa, risada, carinho, nenhum, nenhum amor.

Moscas-Volantes

September 22nd, 2008

Tipo que eu descobri qual é a porra que eu tenho no olho… não, isso não é pra ser levado em duplo sentido. Até porque meu humor tá tipo uma agulha no dia lindo de hoje. E nos últimos dias. Bom, literalmente, desde que eu me entendo por gente, tenho um caralho de um troço na frente do meu olho em formato de um círculo que tipo me atrapalha em basicamente… tudo. Essa mancha (apelidada carinhosamente de “Bola”) me atormenta dia após dia quase sadicamente e eu fico tipo numa guerra nuclear pensando se eu, alternativa 1, finjo que ela não existe (impossível), 2, fico seguindo ela parecendo um Skizzo ou 3, choro que nem um bebê desesperado porque oi eu tô enlouquecendo. Eu tô meio que seguindo a 3 aos poucos, e hoje quando eu tava estudando uma matéria super fofinha de eletrônica sem entender tipo porra nenhuma e a Bola tava lá brincando de pique pelo meu caderno eu peguei e falei “Google it is”. Daí eu jogui setecentas e cinquenta palavras chaves no google e depois de ter que ver vários sites de futebol (odeio) eis que encontro no Yahoo! Respostas - tipo o salvador de pátria de basicamente todos os defeitos de quimera que eu tenho haha e são vários viu - que o nome desse caralho dessa merda dessa bola tem nome: Mosca-volante. Aí eu li tipo, parecendo uma daquelas pessoas que lê um livro de auto-ajuda e fica tipo toda animadinha porque tá pensando ‘É comigo’ e espera que no final tan tan tan tenha uma, sei lá, SOLUÇÃO e eu encontro algo tipo assim:

Normalmente, não há tratamento indicado.

Aí minha cara foi tipo de cu né. Aí eu comecei a procurar por aí sobre essa merda, e o que eu encontrei foi um monte de sites animadores tratando a coisa toda como se fosse uma doença tipo AIDS ou alcoolismo. Tem até um site que tem várias dicas pra aprender a conviver com mosas-volantes. Coisas do tipo, pinte sua parede de cores que não sejam branco ou use óculos escuros 24hs por dia. Tipo, tá me zoando, né? Sério, já fiz um comunicado *faz uma pausa de tipo uma hora hora pra ir corrigir um trabalho de eletrônica que tá tomando minha vida* formal a minha mãe que é pra ela já ir preparando meu hospício, espero que seja de classe.

E vou eu me recolher na minha insignifância de não estudar eletrônica, olhando pra bolinha flutuante. Pra quem encontrar isso aqui no google, não ficar perdido que nem eu tô tipo desde os meus 8 anos. Vou lá no orkut postar um tópico de “Faz 2 segundos que não vejo a minha mosca”.

Só comigo…

For now I’m faking it, til I’m pseudo-making it

September 13th, 2008

Noite passada foi engraçada, porque sonhei que estávamos assistindo tv juntos. A ironia é que o que o sonho provocou em mim não foi nada engraçado. Muito pelo contrário. E no meu peito, só brilhou uma vontade extremamente familiar de que bem, assistir tv junto com uma pessoa é uma coisa completamente banal… certo? Mas não é. Não conosco. Não posso assistir televisão com você. E foi exatamente essa a sensação que brilhou no meu peito; ah, como eu queria. Não chegávamos a prestar atenção o que a tela mostrava, mas há versos que surjem na minha cabeça. Você pensa que me ama mas você não me ama. Sei e sei com a força do meu coração que estes eram os versos que a dita estava gritando, jogando na nossa cara-a-cara quilométrica. Jogando na nossa, aliás, minha cara. Não culpo a tão engraçadinha televisão, coitada. Apenas transmite uma imagem enviada por satélite, de modo que não é ela quem transmite a injustiça do que estou vendo. Injustiça? Estão é brincando com a minha cara. Vocês só podem estar brincando com a minha cara. Você só pode. Acho que vou sonhar isso amanhã, e amanhã. E até o dia que conseguir parar de dizer a mim mesmo que um dia esse sonho vai realizar. Uma simples televisão, uma boba televisão, uma penca de adjetivos que caracterizam apenas submúltiplos brincam comigo, mostrando seu poder devastador. Amar é uma coisa muito idiota. Amar é uma coisa muito injusta, traiçoeira. Amar uma televisão é uma coisa muito mais triste do que qualquer injustiça, traição. Especialmente pra quem já está acostumado. Cansei de amar e de olhar pra televisão esperando que todas aquelas imagens saissem da tela e me fizessem, por vez, por uma única vez, uma pessoa feliz. Uma pessoa acompanhada, eternizada. E no entanto, quase como se um filme de terror, imagens são infindas. Sonhos são infindos. Minha vontade de sofrer também se mostra vada vez mais infinda, infinita, masoquista. Amar é idiota. Acordar é idiota, sonhar é mais ainda. Se sonhos agissem como peças teatrais, prometo que mudaria o texto: a tv, quebraria de martelo. E você, bem, você… o martelo hesitaria, porque sou idiota, fraco, sonhador, desesperadamente sonhador…

Hesitaria…

Hesitaria como sempre fiz, como sempre farei. Sou idiota, fraco, fraco, e fraco. Não teria forças nem para quebrar a televisão. Eu estou te deixando pela última vez. Queria ter as forças da cantora, e no entanto, não tenho. E vou continuar dentro deste sonho desesperador, sempre querendo que possamos sentar no sofá e assistir a benmaldita televisão. Não, não consigo quebrá-la, óbvio que não consigo. Óbvio que não consigo fazer nada a não ser esperar que o dia-de-são-nunca, o sofá-de-são-nunca, a tv-de-são-nunca… cheguem.

Day one, day one, start over again
Step one, step one, I’m barely making sense
For now I’m faking it, ‘Til I’m pseudo-making it
From scratch begin again, But this time “I” as “I”
And not as “we”.