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September 9th, 2008Oi, meu nome é Pedro e eu me odeio. Estou há vinte e cinco horas tentando entender o porquê. Estou há dezessete anos tentando entender o porquê. Por mais que inúmeras justificativas que mesmo que pareçam plausíveis, surjam… ainda não consegui alcançar exatamente a justificativa. Disse que talvez seja porque não consiga me sentir confortável dentro do mundo. E olha, realmente não consigo. Parece que, como descrevi outro dia em que estava particularmente desesperado, minha vida, meus dias, meu momentos, todos estão separados de mim por uma fina linha de vidro. Penso que estou vivendo e na prática de fato estou, e no entando, sinto como se estivesse num sonho. Como se tudo fosse se dissolver do nada que nem papel jogado no fogo e que a realidade de fato vai aparecer. Matrix. Disse que, talvez, seja porque minha vista é sempre pontuada por uma pequena bolinha que voa pelos cantos do meu olho que não me deixa ver nada, ou talvez porque tenha um raciocínio lerdo demais, e esteja por demais atrasado na vida estudantil. Talvez porque tenho alergia pelo corpo todo quando fico agitado. Talvez porque minhas lentes de contato me incomodam. Talvez porque sou baixo demais, talvez porque minha coluna seja torta. A verdade é que eu me odeio. Muito. E parece que vou ser infeliz para o resto de minha vida porque não consigo conviver comigo mesmo e com meus defeitos. Porque odeie minha depressão, o modo como consigo ser absolutamente irritado e miserável, e o modo como consigo ser absolutamente volúvel de uma coisa para outra. Talvez porque não consiga arranjar um motivo para minha vida patética. Patética. Só sei que me odeio… o que fiz para merecer tanto desgosto?